Imposto municipal no Japão (juminzei): por que não desconta no primeiro ano e como funciona no holerite

O juminzei é o imposto municipal japonês cobrado sobre a renda do ano anterior, o que explica por que ele não aparece no holerite do primeiro ano de trabalho. A cobrança começa em junho do segundo ano, em 12 parcelas mensais descontadas automaticamente pela empresa ou pagas por boleto em casa. Este artigo explica como o imposto é calculado, como identificá-lo no holerite, o que fazer ao receber o boleto e como se preparar para não ser pego de surpresa.

DAIKOKU

julho 21, 2026
Jovem descendente de japonês analisa o holerite de trabalho no Japão sentado à mesa em apartamento

O imposto municipal no Japão, chamado de juminzei (住民税), costuma surpreender quem chegou recentemente: no primeiro ano de trabalho ele não aparece no holerite, mas no segundo ano o desconto aparece — às vezes de forma inesperadamente alta. Isso acontece porque o juminzei é calculado com base na renda do ano anterior, não do ano atual. Entender essa lógica é o que separa quem planeja o orçamento de quem leva um susto em junho.

Resumo rápido

  • Juminzei é o imposto municipal e estadual japonês, cobrado sobre quem reside no Japão em 1º de janeiro de cada ano.
  • Ele é calculado sobre a renda do ano anterior — por isso quem chegou em 2025 geralmente não paga juminzei em 2025, mas começa a pagar em 2026.
  • O desconto no holerite começa em junho e vai até maio do ano seguinte, em 12 parcelas mensais iguais.
  • Quem não tem vínculo empregatício ativo em junho recebe um boleto em casa (nozei tsuchi) para pagar em quatro parcelas.
  • O valor é composto por uma parcela proporcional à renda e uma parcela fixa por pessoa.
  • Se você pedir demissão antes de junho, o pagamento passa a ser por boleto — e se for depois de junho, a empresa pode descontar o restante no acerto final.

O que é o juminzei e quem paga

O juminzei é um imposto cobrado pelo município (shi/ku/cho/son) e pela prefeitura (ken/to/do/fu) onde a pessoa reside. Ele financia serviços locais como coleta de lixo, escolas públicas, postos de saúde e infraestrutura urbana. Todo residente no Japão que teve renda tributável no ano anterior e estava registrado no município em 1º de janeiro está sujeito ao pagamento.

Isso significa que a data de corte é sempre o primeiro dia do ano. Quem estava no Japão em 1º de janeiro de 2026, por exemplo, e teve renda em 2025, recebe a cobrança referente ao exercício de 2026, com descontos que começam em junho de 2026. Quem chegou ao Japão em março de 2025 e não estava registrado em 1º de janeiro de 2025 não paga juminzei durante o ano de 2025.

Por que o juminzei não é descontado no primeiro ano

Essa é a dúvida mais comum de quem chegou recentemente. A lógica é simples: o juminzei de um determinado ano é calculado sobre o que você ganhou no ano anterior. Sem renda no ano anterior, não há base de cálculo — e sem base de cálculo, não há imposto.

Imagine que você chegou ao Japão em abril de 2025 e começou a trabalhar. Em 1º de janeiro de 2025, você ainda não estava no Japão (ou estava há poucos dias). Sua renda em 2025 será a base de cálculo para o juminzei de 2026. Por isso, durante todo o ano de 2025, nada é descontado no holerite a título de juminzei. A cobrança só começa em junho de 2026 — e quando chega, representa doze meses de imposto calculado sobre tudo que você ganhou em 2025.

Esse ‘atraso’ é estrutural no sistema japonês, não um benefício nem uma isenção. Quem não entende isso se planeja com base num salário líquido que vai mudar assim que o segundo ano começar.

Como o juminzei é calculado

O valor final do juminzei tem duas partes distintas:

Parcela proporcional à renda (shotoku wari)

É a parte calculada sobre a renda tributável do ano anterior, depois de aplicadas as deduções legais. A alíquota combinada de município e prefeitura costuma ficar em torno de 10% da renda tributável, mas pode variar levemente conforme o município. A renda tributável não é o salário bruto: é o salário bruto menos deduções como a dedução padrão de trabalhador assalariado (kyuyo shotoku koujyo), deduções por dependentes, contribuições ao shakai hoken, entre outras.

Isso significa que o juminzei efetivo nunca chega a 10% do salário bruto — o valor real costuma ser consideravelmente menor, dependendo da situação de cada trabalhador. Para confirmar o cálculo exato aplicado à sua situação, consulte o documento de notificação enviado pelo município ou o setor de recursos humanos da empresa.

Parcela fixa per capita (kintou wari)

Uma quantia fixa cobrada igualmente de todos os contribuintes, independente da renda. O valor exato varia por município e pode ter ajustes ao longo do tempo, por isso consulte a prefeitura local para saber o valor vigente no seu caso.

As duas parcelas são somadas, divididas por 12 e descontadas mensalmente no holerite entre junho e maio do ano seguinte.

Como o juminzei aparece no holerite (kyuyo meisai)

O holerite japonês, chamado de kyuyo meisai (給与明細), lista os descontos em uma seção separada da remuneração bruta. O campo do juminzei costuma aparecer com o nome 住民税 (juminzei) ou, em alguns holerites bilíngues, como ‘imposto residencial’ ou ‘imposto municipal’.

Ele aparece junto com outros descontos obrigatórios: o kenko hoken (健康保険 — seguro saúde), o kosei nenkin (厚生年金 — previdência social) e o shotokuzei (所得税 — imposto de renda nacional). Juntos, esses quatro itens formam o bloco principal de descontos do trabalhador assalariado no Japão.

Uma diferença importante: o shotokuzei (imposto de renda) é calculado e descontado todo mês com base no salário daquele mês. O juminzei, por sua vez, é um valor fixo mensal definido em junho pelo município, que não muda ao longo dos 12 meses de cobrança, mesmo que o salário oscile. Isso pode causar confusão quando o trabalhador faz horas extras num mês e percebe que o desconto do juminzei não variou — é porque não deveria mesmo variar.

Tokubetsu choshu e futsu choshu: qual é a diferença

Existem duas formas de pagar o juminzei, e entender qual se aplica a você evita problemas.

Tokubetsu choshu (特別徴収) — desconto via empresa

É a modalidade padrão para trabalhadores com vínculo empregatício ativo. A empresa recebe a notificação do município em maio ou junho, informa o valor ao trabalhador e passa a descontar automaticamente no holerite, em 12 parcelas iguais de junho a maio. O trabalhador não precisa fazer nada além de acompanhar o holerite.

Futsu choshu (普通徴収) — pagamento por boleto

É a modalidade usada quando não há empresa descontando pelo trabalhador: autônomos, pessoas entre empregos, quem saiu do emprego antes de junho ou quem não tinha vínculo formal. Nesse caso, o município envia um nozei tsuchi (納税通知書 — aviso de pagamento) para o endereço registrado, com quatro carnês de pagamento com vencimentos distribuídos ao longo do ano (geralmente em junho, agosto, outubro e janeiro, mas as datas exatas variam por município).

Se você mudou de emprego e ficou sem vínculo por um período, pode receber o boleto em casa mesmo tendo pagado parte do juminzei via holerite no emprego anterior. Isso não é erro — é a transição entre as duas modalidades.

O calendário prático do juminzei

Para entender quando cada coisa acontece, siga esta linha do tempo do ponto de vista do trabalhador:

  • Janeiro do ano de referência: quem está registrado no Japão nessa data está sujeito ao juminzei desse exercício.
  • Janeiro a março: o empregador faz o ajuste anual (nenmatsu chosei) e envia as informações de rendimentos ao município.
  • Maio: o município calcula o juminzei e envia a notificação à empresa (no caso do tokubetsu choshu) ou ao trabalhador (no caso do futsu choshu).
  • Junho: começa o desconto no holerite. Este primeiro mês pode ter um valor ligeiramente diferente dos meses seguintes por causa de arredondamentos no cálculo das 12 parcelas.
  • Julho a maio do ano seguinte: parcelas iguais descontadas mensalmente.
  • Junho do ano seguinte: novo ciclo começa, com valor recalculado sobre a renda do ano anterior.

O que acontece com o juminzei quando você pede demissão

Esse é um ponto que pega muita gente de surpresa no acerto rescisório.

Se você pedir demissão ou for desligado antes de junho (antes de o desconto via holerite começar), o município enviará o boleto para seu endereço. Você precisará pagar em quatro parcelas. Fique atento ao seu jumin hyo (住民票 — registro de residência): se o endereço estiver desatualizado, o boleto não chega e você pode acabar inadimplente sem saber.

Se você se desligar depois de junho (após já ter começado a pagar via holerite), a empresa tem a opção — e em muitos casos a obrigação — de descontar as parcelas restantes do juminzei de uma só vez no acerto final (taishoku kin ou salário do último mês). Isso pode reduzir bastante o valor líquido do último pagamento. Peça ao RH da empresa um detalhamento de como será tratado o juminzei no desligamento.

O que fazer ao receber o boleto (nozei tsuchi) em casa

Se você recebeu um envelope do município com um carnê de pagamento, não entre em pânico. Veja o que fazer:

  • Verifique as datas de vencimento de cada uma das quatro parcelas. Elas costumam estar claramente indicadas no carnê.
  • Pague no konbini (combini — lojas de conveniência como 7-Eleven, Lawson ou FamilyMart): basta levar o carnê ao caixa. É o método mais simples e rápido.
  • Outras opções: bancos, caixas eletrônicos (ATM) com suporte à função de pagamento de impostos, e em alguns municípios já é possível pagar por aplicativo ou PayPay.
  • Não atrase: boletos vencidos geram juros e multa, e a inadimplência pode ser cobrada de forma mais rigorosa em renovações de visto ou em solicitações futuras no sistema público japonês.
  • Endereço desatualizado: se o boleto não chegou mas você sabe que deveria, vá ao balcão do município (shiyakusho ou kuyakusho) e regularize o jumin hyo antes de qualquer coisa. O boleto pode ser reemitido.

Redução ou isenção do juminzei para renda baixa

O sistema japonês prevê redução ou isenção do juminzei para quem teve renda baixa ou ficou desempregado parte do ano. Os critérios variam por município e levam em conta a renda total do ano anterior, o número de dependentes e a situação familiar.

Se você passou por um período de desemprego ou sua renda em determinado ano foi significativamente menor que o habitual, vale perguntar diretamente ao balcão do município se você se enquadra em alguma redução. Esse pedido geralmente precisa ser feito dentro de um prazo específico após o recebimento da notificação — confirme o prazo com o município da sua cidade.

Você entendeu como o juminzei funciona — agora vale entender como o processo completo de trabalho no Japão é estruturado antes de embarcar. A DAIKOKU inclui planejamento financeiro junto com o candidato antes do embarque, justamente para que nenhum desconto obrigatório — incluindo o juminzei do segundo ano — chegue como surpresa. Se você está considerando trabalhar no Japão, vale conhecer como esse processo funciona na prática. ver como funciona o processo de trabalho no Japão.

Erros comuns de quem chegou recentemente ao Japão

  • Calcular o salário líquido sem incluir o juminzei futuro: quem chega, recebe o holerite sem o desconto de juminzei e assume que aquele é o líquido definitivo. No segundo ano, o impacto pode ser de dezenas de milhares de ienes por mês.
  • Ignorar o boleto que chega em casa: muitas pessoas recebem o nozei tsuchi, não entendem o que é e deixam passar. O vencimento é real e o atraso gera cobrança adicional.
  • Não atualizar o jumin hyo ao mudar de endereço: se o boleto for enviado para um endereço antigo e você não receber, a dívida continua existindo.
  • Confundir juminzei com shotokuzei: são impostos diferentes, cobrados por esferas distintas (municipal e federal), com lógicas de cálculo e descontos no holerite separados.
  • Achar que o valor não vai mudar: o juminzei é recalculado todo ano com base na renda do ano anterior. Se você fez muitas horas extras num ano, o desconto no ano seguinte será proporcionalmente maior.

Orientação prática: o que fazer agora

Se você está no primeiro ano no Japão, use esse período sem desconto de juminzei para separar uma reserva. Calcule, de forma aproximada, quanto será o juminzei no segundo ano: estime sua renda tributável (renda bruta menos as deduções básicas de trabalhador assalariado) e aplique uma alíquota geral de referência para ter uma ordem de grandeza — mas confirme com o município ou com o RH da empresa, pois o valor exato só é definido em maio.

Se você já está no segundo ano e viu o desconto aparecer, compare com o documento de notificação (normalmente entregue pela empresa em junho) para verificar se o valor está correto. Qualquer dúvida, o setor de RH da empresa ou o balcão do município são os caminhos certos.

Para quem trabalha por meio de uma empresa de recrutamento como a DAIKOKU, o suporte em português no Japão pode ajudar a entender o holerite e a navegar situações como o recebimento de boletos ou a transição entre empregos sem ficar perdido na burocracia.

O juminzei não é uma punição nem um erro — é parte do sistema fiscal japonês que todo trabalhador registrado enfrenta. Quem entende a lógica do ano de referência, acompanha o holerite e mantém o cadastro de endereço atualizado não tem motivo para ser pego de surpresa.

Perguntas frequentes

Por que meu colega paga juminzei e eu não pago, sendo que chegamos no mesmo ano?

A data que define quem paga é 1º de janeiro. Se um colega estava registrado no Japão nessa data e você não estava, ele paga e você não — mesmo que os dois trabalhem juntos atualmente. O que importa é se havia registro de residência no município em 1º de janeiro e se houve renda tributável no ano anterior.

O valor do juminzei vai mudar todo ano?

Sim. O juminzei é recalculado a cada ano com base na renda do ano anterior. Se você fez muitas horas extras ou teve aumento de salário em determinado ano, o juminzei do ano seguinte será proporcionalmente mais alto. O novo valor é definido pelo município em maio e entra em vigor em junho.

Posso pedir isenção ou redução do juminzei?

Em alguns casos sim. Quem teve renda baixa, ficou desempregado parte do ano ou tem dependentes pode se enquadrar em redução ou isenção, conforme os critérios do município. O pedido geralmente precisa ser feito dentro de um prazo após receber a notificação. Procure o balcão do município (shiyakusho) para verificar sua situação específica.

O que acontece se eu não pagar o boleto do juminzei no prazo?

Boletos vencidos geram juros e multa por atraso. A inadimplência é registrada pelo município e pode complicar processos futuros no sistema público japonês. Se você não recebeu o boleto mas suspeita que deveria tê-lo recebido, vá ao município regularizar o endereço no jumin hyo e solicitar a reemissão.

Se eu pedir demissão, o que acontece com as parcelas do juminzei que ainda faltam?

Depende do momento do desligamento. Se for antes de junho, você recebe boleto em casa para pagar em quatro parcelas. Se for após junho, a empresa costuma descontar as parcelas restantes do acerto final de uma só vez. Pergunte ao RH da empresa como será tratado no seu caso antes de assinar qualquer documento de desligamento.

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