Como funciona a declaração de dependente no holerite japonês para brasileiro

Este artigo explica como funciona a declaração de dependentes (fuyou kazoku) no sistema tributário japonês, ensinando trabalhadores brasileiros a reduzirem o imposto de renda descontado no holerite mensal ao declarar cônjuge e filhos corretamente. Você vai aprender quais documentos reunir, como comprovar o envio de dinheiro ao Brasil, como entregar a declaração à empresa e evitar os erros mais comuns que fazem brasileiros pagarem IR a mais sem necessidade.

DAIKOKU

julho 28, 2026
Trabalhador nikkei brasileiro de 30 anos em escritório no Japão preenchendo formulário fiscal de declaração de dependentes em japonês

A declaração de dependente no holerite japonês permite que você pague menos imposto de renda todo mês ao informar oficialmente à empresa que sustenta cônjuge ou filhos, mesmo que eles morem no Brasil. Esse processo chama-se ‘fuyou kazoku’ (扶養家族) e funciona como uma dedução fiscal aplicada automaticamente no cálculo do imposto descontado do salário mensal. Muitos brasileiros perdem dinheiro por não declarar dependentes corretamente ou por não renovar a declaração anualmente, e acabam pagando IR a mais sem necessidade.

Resumo rápido

  • Declarar dependentes reduz o imposto de renda descontado no holerite mensal
  • Você entrega um formulário específico ao RH da empresa no início do trabalho e renova anualmente
  • Cônjuge e filhos que moram no Brasil podem ser declarados como dependentes não residentes
  • É obrigatório apresentar documentos brasileiros apostilados e traduzidos para o japonês
  • Comprovante de remessa de dinheiro ao Brasil é necessário para validar a dependência
  • A declaração influencia também o ajuste fiscal de final de ano (nenmatsu chosei)

O que é fuyou kazoku e por que isso importa para o seu salário

Fuyou kazoku (扶養家族) é o termo japonês para dependentes fiscais: pessoas que você sustenta financeiramente e que, por isso, reduzem a base de cálculo do imposto de renda. No Japão, quando você declara um dependente à empresa, o sistema de folha de pagamento ajusta automaticamente o valor do imposto descontado do salário mensal, diminuindo o desconto e aumentando o líquido que cai na conta.

Para trabalhadores brasileiros com família no Brasil ou cônjuge e filhos morando juntos no Japão, essa declaração pode representar uma economia mensal significativa. A diferença prática é simples: sem declarar dependentes, o cálculo de IR presume que toda a renda é para você sozinho, aplicando uma alíquota maior. Com dependentes declarados, o sistema reconhece que parte dessa renda sustenta outras pessoas, reduzindo a carga tributária proporcional.

O impacto aparece diretamente no holerite. O campo ‘shotokuzei’ (所得税), que indica o imposto de renda descontado naquele mês, fica menor quando há dependentes registrados. Essa redução se acumula ao longo do ano e se reflete também no ajuste de final de ano, o nenmatsu chosei, quando a empresa faz o acerto entre o imposto pago e o devido e, na maioria dos casos, devolve uma parte ao trabalhador.

Diferença entre dependente residente e dependente no Brasil

O sistema japonês diferencia dois tipos de dependentes: residentes no Japão e não residentes. Dependente residente é quem mora com você no Japão, possui visto e registro municipal. Dependente não residente é quem mora no exterior, geralmente no Brasil, e depende financeiramente do que você envia.

Para brasileiros que trabalham no Japão, o caso mais comum é o segundo: cônjuge e filhos que ficaram no Brasil. A burocracia é maior porque você precisa comprovar a relação familiar com documentos do Brasil e também comprovar que realmente envia dinheiro regularmente para essas pessoas. O sistema aceita essa modalidade, mas exige prova documental clara e renovação anual.

Se o cônjuge e os filhos moram com você no Japão, o processo é mais simples. Basta apresentar a certidão de casamento e de nascimento dos filhos, traduzidas e apostiladas, e o registro municipal (juminhyo) que mostra todos morando no mesmo endereço. Nesse caso, a comprovação de sustento é presumida pela residência conjunta.

Quem pode ser declarado como dependente

No sistema japonês, podem ser declarados como dependentes: cônjuge, filhos, pais, avós, irmãos e outros parentes consanguíneos ou por afinidade que dependam financeiramente de você. Porém, há condições específicas de renda e idade que definem a elegibilidade.

Cônjuge: pode ser declarado se a renda anual dele ou dela for inferior a um limite estabelecido pela legislação japonesa. Se o cônjuge trabalha formalmente no Brasil e tem renda própria acima desse limite, pode perder a elegibilidade para dedução fiscal. A regra considera a renda bruta anual, convertida para ienes, e você precisa informar esse valor no formulário.

Filhos: dependem principalmente da idade e da condição de estudante. Filhos menores de 16 anos geralmente não geram dedução fiscal direta no imposto de renda, mas filhos entre 16 e 18 anos (ou até 22 anos se cursando universidade) podem ser declarados com benefício fiscal. Filhos acima dessa faixa etária só são elegíveis se comprovadamente incapazes de trabalhar por motivo de saúde ou deficiência.

Pais e outros familiares: a partir de uma mudança na legislação fiscal vigente desde 2025, dependentes não residentes entre 30 e 69 anos de idade (como pais no Brasil) só são elegíveis à dedução se comprovarem incapacidade para o trabalho por motivo de saúde ou deficiência. Essa regra tornou mais restrita a declaração de pais como dependentes para trabalhadores brasileiros, a menos que haja laudo médico comprovando a condição. Confirme as regras atualizadas com um profissional de contabilidade ou no órgão tributário japonês, pois esse tipo de requisito muda.

Documentos necessários para declarar dependentes no Brasil

Quando os dependentes moram no Brasil, você precisa reunir documentos brasileiros, apostilá-los conforme a Convenção de Haia e providenciar tradução juramentada para o japonês. O conjunto de documentos varia conforme o tipo de dependente, mas a base é sempre a mesma: comprovar a relação familiar e comprovar o envio de dinheiro.

Documentos de comprovação de vínculo familiar:

  • Certidão de casamento apostilada e traduzida para o japonês, se declarar cônjuge
  • Certidão de nascimento dos filhos apostilada e traduzida para o japonês
  • Certidão de nascimento dos pais e documentos que comprovem o vínculo de filiação, se declarar pais

Documentos de comprovação de sustento:

  • Comprovantes de remessa de dinheiro ao Brasil de forma regular, referentes ao ano-calendário em questão. A legislação exige evidência de que você envia dinheiro periodicamente para sustentar a pessoa declarada.
  • Extrato bancário mostrando as transferências internacionais, com data, valor e destinatário identificável
  • Recibos ou comprovantes de empresas de remessa (Wise, Remessa Online, Western Union, etc.) com os dados completos da transação

Outros documentos conforme o caso:

  • Declaração de renda do cônjuge no Brasil, se ele trabalha formalmente, para comprovar que a renda anual está abaixo do limite de elegibilidade
  • Comprovante de matrícula ou histórico escolar dos filhos, se o benefício fiscal depender da condição de estudante
  • Laudo médico traduzido para o japonês, se declarar dependente adulto com incapacidade para o trabalho

Todos os documentos brasileiros devem passar pelo processo de apostilamento no Brasil (em cartórios credenciados) e depois serem traduzidos para o japonês por tradutor juramentado. A tradução pode ser feita no Brasil por tradutor juramentado em japonês ou no Japão por tradutor certificado. A empresa ou empreiteira pode indicar tradutores, mas o custo geralmente é do trabalhador.

Como entregar a declaração de dependentes à empresa

A declaração de dependentes é feita por meio de um formulário específico chamado ‘Kyuyo shotoku sha no fuyou koujyo nado shinkokusho’ (給与所得者の扶養控除等申告書), que significa ‘Declaração de Dedução de Dependentes para Assalariados’. Esse documento é entregue à empresa no momento da contratação ou, se você já trabalha, no início de cada ano fiscal (geralmente entre novembro e dezembro do ano anterior ou no começo de janeiro).

O formulário é em japonês e pede informações sobre cada dependente: nome completo, data de nascimento, grau de parentesco, endereço, renda anual e se reside no Japão ou no exterior. Para dependentes não residentes, há campos adicionais pedindo o país de residência e a comprovação de remessa de dinheiro.

Você preenche o formulário com os dados dos dependentes e anexa as cópias dos documentos traduzidos e apostilados. Em seguida, entrega ao setor de RH da empresa ou da empreiteira. Muitas empreiteiras que trabalham com brasileiros têm funcionários bilíngues que ajudam no preenchimento, mas a responsabilidade final pela exatidão das informações é do trabalhador.

Após a entrega, o RH registra os dependentes no sistema de folha de pagamento. A partir do mês seguinte, o desconto de imposto de renda no holerite já sai menor, refletindo a dedução. Se você entregar o formulário no meio do ano, o ajuste se aplica a partir do mês da entrega, e a diferença acumulada dos meses anteriores será acertada no nenmatsu chosei de dezembro.

Como comprovar o envio de dinheiro ao Brasil de forma válida

O ponto mais crítico da declaração de dependentes não residentes é comprovar que você realmente sustenta essas pessoas. O sistema japonês exige prova documental de remessas regulares ao longo do ano. Não basta afirmar que envia dinheiro; é preciso mostrar.

Os comprovantes aceitos são geralmente:

  • Extrato bancário de transferências internacionais feitas pelo banco japonês onde você tem conta, mostrando a operação de câmbio e o nome do beneficiário no Brasil
  • Comprovante de remessa emitido por empresa especializada (aplicativos como Wise, Remessa Online, Western Union, etc.), com data, valor em ienes e reais, taxa de câmbio, dados do remetente e do destinatário
  • Declaração oficial da empresa de remessa listando todas as operações do ano, se o formato individual de cada comprovante não for suficiente

Não são aceitos como comprovante válido: envio de dinheiro em espécie com parentes ou conhecidos que viajam ao Brasil, depósito em conta brasileira sem rastreabilidade de origem, compra de produtos no Brasil com cartão de crédito japonês sem identificar o destinatário final. A lógica do sistema é documental: precisa haver um papel ou arquivo digital oficial mostrando que o dinheiro saiu da sua conta no Japão e chegou na conta do dependente no Brasil.

Guarde todos os comprovantes mensais ao longo do ano. No momento de renovar a declaração ou de fazer o ajuste fiscal de final de ano, você pode precisar apresentá-los. Organize por mês e por dependente, especialmente se enviar para mais de uma pessoa.

Impacto no holerite mensal e no ajuste de final de ano

A principal vantagem prática de declarar dependentes é ver o desconto de imposto de renda diminuir no holerite mensal. Esse desconto aparece no campo ‘shotokuzei’ (所得税). Embora o valor exato dependa da sua faixa salarial e do número de dependentes, a lógica é a mesma: menos imposto descontado significa mais dinheiro líquido na conta todo mês.

Imagine um trabalhador solteiro sem dependentes com salário bruto mensal de 250.000 ienes. O imposto de renda descontado pode ser algo em torno de alguns milhares de ienes por mês, dependendo de outras variáveis. Se esse mesmo trabalhador declarar cônjuge e dois filhos como dependentes, o desconto mensal de IR pode cair pela metade ou mais, acumulando economia ao longo de 12 meses.

Além do impacto mensal, há o ajuste de final de ano, chamado ‘nenmatsu chosei’ (年末調整). Em dezembro, a empresa faz o cálculo definitivo do imposto devido no ano, comparando o total descontado mês a mês com o valor real que deveria ter sido pago. Se você pagou a mais, recebe a diferença de volta no salário de dezembro ou janeiro. Se pagou a menos, o saldo é descontado.

Quando há dependentes declarados, a chance de receber restituição no nenmatsu chosei aumenta, porque as deduções são aplicadas de forma mais precisa no cálculo anual. Se você não declarou dependentes durante o ano todo e só entrega a documentação em dezembro, a empresa pode fazer o ajuste retroativo no nenmatsu chosei daquele ano, devolvendo o imposto pago a mais nos meses anteriores.

Renovação anual da declaração de dependentes

A declaração de dependentes não é permanente. Você precisa renovar anualmente, confirmando que as informações continuam válidas e atualizando qualquer mudança na situação familiar. A renovação é feita no final de cada ano (geralmente entre novembro e dezembro) para valer no ano fiscal seguinte.

A empresa ou empreiteira distribui o formulário de declaração de dependentes nessa época e pede que todos os funcionários preencham novamente, mesmo que nada tenha mudado. Se você não renovar, a empresa entende que você não tem mais dependentes e volta a calcular o imposto como se você fosse solteiro sem família, aumentando o desconto no holerite.

Aproveite o momento da renovação para atualizar documentos, especialmente comprovantes de remessa. Alguns empregadores pedem cópias de todos os comprovantes de envio de dinheiro do ano anterior como parte do processo de renovação. Mantenha tudo organizado para evitar correria de última hora.

Se houve mudança na situação dos dependentes durante o ano (filho completou idade que deixa de ser elegível, cônjuge começou a trabalhar e passou do limite de renda, nasceu um filho novo), informe ao RH imediatamente. Mudanças que aumentam o número de dependentes favorecem você; mudanças que diminuem podem gerar cobrança retroativa de imposto se não informadas a tempo.

Declaração de dependentes para famílias que moram juntas no Japão

Quando cônjuge e filhos moram com você no Japão, o processo de declaração de dependentes é mais simples do que para dependentes no Brasil. A principal diferença é que não há necessidade de comprovar remessa de dinheiro; a residência conjunta e o registro municipal (juminhyo) são suficientes para presumir o sustento.

Você apresenta as certidões de casamento e nascimento dos filhos, apostiladas e traduzidas para o japonês, junto com o juminhyo que mostra todos os membros da família registrados no mesmo endereço. O RH da empresa registra os dependentes residentes no sistema de folha de pagamento, e a dedução fiscal se aplica automaticamente.

Famílias que embarcam juntas para o Japão com a DAIKOKU contam com orientação sobre toda a documentação desde antes de sair do Brasil, incluindo o que traduzir, o que apostilar e como se preparar para declarar dependentes logo no início do contrato de trabalho. A moradia exclusiva e o suporte permanente em português facilitam esse tipo de trâmite burocrático, evitando erros que podem custar caro.

Para cônjuge que mora no Japão e tem visto dependente (não pode trabalhar formalmente mais de 28 horas por semana sem permissão especial), a renda anual costuma ficar abaixo do limite de elegibilidade, mantendo o benefício fiscal intacto. Já se o cônjuge tem visto próprio de trabalho e renda plena, pode ultrapassar o limite e deixar de ser elegível à dedução.

O que fazer se nunca declarou dependentes em anos anteriores

Se você já trabalha no Japão há algum tempo, sustenta cônjuge ou filhos e nunca declarou dependentes, perdeu dinheiro pagando imposto de renda a mais. A boa notícia é que, em alguns casos, é possível corrigir isso retroativamente por meio da declaração anual de imposto de renda, chamada ‘kakutei shinkoku’ (確定申告).

O kakutei shinkoku é um processo separado do ajuste de final de ano feito pela empresa. Você mesmo vai até a repartição fiscal (zeimusho) ou envia a declaração online, informando todos os rendimentos do ano e todas as deduções que tem direito, incluindo dependentes que não foram declarados à empresa. Se a declaração resultar em imposto pago a mais, você recebe a restituição.

Há prazos e limites para declaração retroativa. Geralmente é possível corrigir até cinco anos anteriores, mas cada caso depende de circunstâncias específicas. O ideal é procurar um contador (zeirishi) que fale português ou pedir ajuda à empreiteira para entender se vale a pena fazer o kakutei shinkoku no seu caso.

De qualquer forma, o importante é começar a declarar dependentes o quanto antes. Mesmo que você não consiga recuperar o passado, a partir do momento que entrega a declaração à empresa, o desconto de IR diminui e você começa a economizar mensalmente.

Erros comuns que custam dinheiro

Muitos brasileiros perdem dinheiro ou enfrentam problemas fiscais por erros simples na declaração de dependentes. Conhecer os erros mais frequentes ajuda a evitá-los.

Não declarar dependentes por desconhecimento: O erro mais comum é simplesmente não saber que existe a possibilidade de declarar cônjuge e filhos que moram no Brasil. Muitos trabalhadores acham que só quem mora junto no Japão conta como dependente. Resultado: pagam IR cheio durante anos sem necessidade.

Não renovar a declaração anualmente: Declarou dependentes no primeiro ano, mas não renovou no segundo. A empresa para de aplicar a dedução, o desconto de IR volta a subir, e o trabalhador só percebe meses depois, quando já pagou imposto a mais sem poder recuperar facilmente.

Enviar dinheiro em espécie sem comprovante: Enviar dinheiro ao Brasil com parentes que viajam ou depositar em conta brasileira sem rastreabilidade do Japão não gera comprovante válido. Na hora de renovar a declaração ou de passar por auditoria, você não consegue provar o sustento e pode perder o benefício ou ter que devolver imposto.

Declarar cônjuge que trabalha formalmente no Brasil sem verificar o limite de renda: Se o cônjuge tem renda própria acima do limite de elegibilidade, declarar como dependente pode resultar em cobrança retroativa de imposto, com multa e juros. Sempre informe a renda do cônjuge no formulário e, se houver dúvida, consulte a empresa ou um contador.

Não traduzir documentos para o japonês: Apresentar certidões em português sem tradução juramentada. A empresa não aceita, a declaração fica incompleta e o benefício não se aplica. Tradução de documentos oficiais para fins fiscais precisa ser feita por tradutor certificado.

Esquecer de informar mudanças na situação familiar: Filho que completou idade limite e deixou de ser elegível, cônjuge que começou a trabalhar, dependente que veio morar no Japão. Não informar ao RH pode gerar cobrança retroativa de imposto quando a empresa descobrir no nenmatsu chosei ou em auditoria.

Não guardar comprovantes de remessa: Jogar fora os comprovantes mensais de envio de dinheiro ou não fazer backup digital. Na renovação anual ou em caso de auditoria fiscal, você não consegue comprovar o sustento e perde o benefício, podendo ter que devolver imposto com juros.

A nova regra de 2025 para dependentes não residentes entre 30 e 69 anos

A legislação tributária japonesa passou por mudança que afeta especificamente dependentes não residentes na faixa de 30 a 69 anos de idade. Antes dessa mudança, era possível declarar pais, tios, irmãos adultos e outros parentes nessa faixa etária como dependentes, desde que comprovado o sustento financeiro. A partir de 2025, essa categoria de dependente só é elegível à dedução fiscal se houver comprovação de incapacidade para o trabalho por motivo de saúde ou deficiência.

Na prática, isso tornou bem mais difícil para brasileiros declararem pais que moram no Brasil como dependentes, a menos que haja laudo médico atestando que o pai ou a mãe não pode trabalhar. A intenção da mudança foi restringir deduções que o governo japonês considerava amplas demais, concentrando o benefício fiscal em dependentes menores de idade, estudantes, idosos acima de 70 anos e pessoas comprovadamente incapazes de se sustentar.

Se você já declarava pais ou outros parentes adultos como dependentes antes de 2025 e continua fazendo isso, confirme com a empresa ou com um contador se a situação do dependente se enquadra nas novas regras. Pode ser necessário apresentar documentação médica adicional ou, caso o dependente não se enquadre mais, deixar de declarar para evitar cobrança retroativa.

Como esse tipo de regra pode mudar com o tempo e a interpretação varia conforme o caso individual, sempre confirme a situação específica com um profissional de contabilidade ou no órgão tributário japonês antes de tomar decisões baseadas em informações gerais.

Agora que você sabe como declarar dependentes e pagar menos imposto todo mês, o próximo passo é garantir que toda a documentação esteja certa desde o começo. A DAIKOKU cuida de todo o processo de visto, Koseki Tohon e traduções juramentadas para famílias que embarcam juntas para o Japão, e o suporte permanente em português ajuda a resolver qualquer dúvida sobre declaração de dependentes, holerite e trâmites fiscais, antes, durante e depois do embarque. Conheça como funciona o processo completo para famílias que querem trabalhar e morar juntas no Japão.

Orientação prática passo a passo

Se você quer declarar dependentes e começar a pagar menos imposto de renda, siga este roteiro:

1. Identifique quem é elegível como dependente: Verifique se cônjuge, filhos ou outros familiares atendem aos critérios de idade, renda e residência. Lembre-se da restrição de 2025 para dependentes entre 30 e 69 anos no exterior.

2. Reúna os documentos no Brasil: Providencie certidões de casamento, nascimento e outros documentos de vínculo familiar. Apostile todos no Brasil conforme a Convenção de Haia. Se precisar de laudo médico, providencie com médico registrado.

3. Traduza os documentos para o japonês: Contrate tradutor juramentado em japonês para traduzir as certidões apostiladas. Guarde originais, apostilamento e tradução juntos.

4. Organize comprovantes de remessa de dinheiro: Junte todos os comprovantes de transferências internacionais feitas ao longo do ano para cada dependente. Se ainda não enviou dinheiro, comece a fazer isso de forma rastreável (banco ou empresa de remessa), porque sem comprovante a declaração não é aceita.

5. Preencha o formulário de declaração de dependentes: Peça o formulário ao RH da empresa ou empreiteira. Preencha com os dados de cada dependente, anexe cópias dos documentos traduzidos e dos comprovantes de remessa. Se tiver dúvida no preenchimento, peça ajuda ao setor bilíngue da empreiteira ou a um colega que já fez.

6. Entregue ao RH da empresa: Protocole o formulário e os documentos no setor responsável. Confirme se foi registrado no sistema e a partir de qual mês a dedução vai aparecer no holerite.

7. Acompanhe o holerite nos meses seguintes: Verifique se o desconto de shotokuzei (imposto de renda) diminuiu. Se não mudou, volte ao RH para confirmar que o registro foi feito corretamente.

8. Renove a declaração todo ano: Entre novembro e dezembro de cada ano, a empresa vai pedir renovação. Preencha novamente, atualize comprovantes de remessa e informe qualquer mudança na situação dos dependentes.

9. Guarde todos os documentos e comprovantes: Mantenha pasta física ou digital com cópias de tudo: certidões, traduções, formulários preenchidos, comprovantes de remessa. Em caso de auditoria fiscal, você precisará apresentar.

10. Informe mudanças imediatamente: Se filho completar idade limite, cônjuge começar a trabalhar, dependente vier morar no Japão ou qualquer outra mudança, avise o RH assim que acontecer para evitar cobrança retroativa.

Conclusão

Declarar dependentes corretamente no holerite japonês é um direito fiscal que reduz o imposto de renda mensal e aumenta o dinheiro líquido disponível para você e sua família. O processo exige organização, documentos traduzidos e comprovantes de remessa de dinheiro, mas o retorno financeiro ao longo do ano compensa o esforço. Muitos brasileiros perdem dinheiro por não saber que podem declarar cônjuge e filhos que moram no Brasil ou por não renovar a declaração anualmente. Comece o quanto antes, mantenha os documentos em ordem e acompanhe o holerite para garantir que a dedução está sendo aplicada todos os meses.

Perguntas frequentes

Posso declarar cônjuge e filhos que moram no Brasil como dependentes fiscais no Japão?

Sim, você pode declarar cônjuge e filhos que moram no Brasil como dependentes não residentes, desde que comprove o vínculo familiar com documentos apostilados e traduzidos para o japonês e apresente comprovantes de que envia dinheiro regularmente para sustentá-los. A declaração reduz o imposto de renda descontado do salário mensal.

Quanto eu economizo de imposto ao declarar dependentes no holerite japonês?

O valor exato depende do seu salário e do número de dependentes, mas a economia pode ser de alguns milhares de ienes por mês. Ao longo de 12 meses, a diferença acumulada no desconto de IR se torna significativa e se reflete também na restituição do ajuste de final de ano (nenmatsu chosei).

Preciso renovar a declaração de dependentes todo ano?

Sim, a declaração de dependentes precisa ser renovada anualmente, geralmente entre novembro e dezembro. Se você não renovar, a empresa entende que não há mais dependentes e volta a calcular o imposto como se você fosse solteiro, aumentando o desconto no holerite.

E se meu cônjuge trabalha no Brasil, ainda posso declarar como dependente?

Depende da renda anual do cônjuge. Se a renda bruta anual dele ou dela for inferior ao limite estabelecido pela legislação japonesa, você pode declarar. Se ultrapassar o limite, perde a elegibilidade para dedução fiscal. Informe a renda do cônjuge no formulário e confirme a situação com a empresa ou um contador.

O que acontece se eu enviar dinheiro em espécie para o Brasil sem comprovante bancário?

Envio de dinheiro em espécie com parentes que viajam ou depósito sem rastreabilidade não gera comprovante válido para fins fiscais no Japão. Sem comprovante de remessa oficial (banco ou empresa especializada), você não consegue comprovar o sustento do dependente e a declaração não é aceita, fazendo você perder o benefício fiscal.

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