Como funciona o Shichi-Go-San no Japão para famílias brasileiras

O Shichi-Go-San é uma tradição japonesa que celebra o crescimento de crianças aos três, cinco e sete anos, com visita a santuários, uso de kimono e recebimento do chitose ame. Famílias brasileiras que moram no Japão podem participar mesmo sem falar japonês fluentemente, alugando kimono em estúdios ou lojas especializadas, visitando santuários locais e adaptando a celebração ao conforto da criança.

DAIKOKU

setembro 10, 2026
Família brasileira nikkei com criança vestida de kimono tradicional em frente a santuário xintoísta japonês durante celebração do Shichi-Go-San

O Shichi-Go-San é uma das tradições japonesas mais marcantes para famílias com filhos pequenos, celebrada em 15 de novembro para meninas de três e sete anos e meninos de três e cinco anos. Para famílias brasileiras que moram no Japão, entender como participar dessa tradição na prática envolve mais do que conhecer o significado: é preciso saber onde alugar kimono, como funciona a visita ao santuário, quais são os custos envolvidos e como se preparar para um dia que pode ser emocionante e desafiador ao mesmo tempo.

Resumo rápido

  • O Shichi-Go-San celebra o crescimento saudável de crianças em idades específicas: três, cinco e sete anos.
  • A celebração acontece oficialmente em 15 de novembro, mas a maioria das famílias escolhe fins de semana próximos em outubro ou novembro.
  • O ritual inclui vestir a criança com kimono tradicional, visitar um santuário xintoísta e receber o chitose ame, doce que simboliza longevidade.
  • Famílias brasileiras podem participar mesmo sem falar japonês fluentemente, e santuários locais costumam ser mais acolhedores e tranquilos do que os grandes e famosos.
  • Os custos variam bastante conforme a região e as escolhas da família, mas incluem aluguel de kimono, sessão fotográfica opcional e taxa de cerimônia no santuário.

O que é o Shichi-Go-San e por que as idades são essas

Shichi-Go-San significa literalmente sete-cinco-três, marcando momentos de transição na infância japonesa. A tradição tem origem em rituais da nobreza durante a Era Heian e se popularizou na Era Edo, quando a taxa de mortalidade infantil era alta e cada ano de vida saudável era motivo de celebração e gratidão aos deuses.

Hoje, a celebração mantém o simbolismo de proteção e desejo de saúde, mas também se transformou em um evento social e familiar importante. Meninas participam aos três e sete anos; meninos aos três e cinco anos. Algumas famílias celebram meninos aos três anos, outras não, dependendo da região e da tradição familiar.

Para famílias brasileiras, entender esse calendário ajuda a planejar a participação com antecedência. A contagem de idade no Japão pode causar confusão: tradicionalmente, algumas famílias usam o sistema kazoedoshi, no qual a criança ‘ganha’ um ano no Ano Novo seguinte ao nascimento. No entanto, a maioria das famílias hoje usa a idade ocidental (idade cronológica completa). Confirme com outros pais ou com o santuário qual sistema está sendo usado na sua comunidade se houver dúvida.

Como funciona a celebração na prática

O Shichi-Go-San não é feriado nacional. A data oficial, 15 de novembro, costuma cair em dia de semana, então a maioria das famílias celebra nos fins de semana de outubro e novembro. Estúdios fotográficos e santuários ficam lotados nesses dias, e muitas famílias agendam com meses de antecedência.

A celebração típica envolve três etapas principais:

  • Vestir a criança com kimono tradicional: meninas usam kimono colorido com obi (faixa larga) e acessórios tradicionais; meninos usam hakama (calça larga) ou kimono com haori (sobretudo curto).
  • Visitar um santuário xintoísta: a família vai ao santuário para uma cerimônia de purificação e bênção (oharai), onde o sacerdote reza pela saúde e felicidade da criança.
  • Receber o chitose ame: doce de açúcar em formato de bastão, embalado em saco decorado com símbolos de longevidade como tartarugas e guindastes. O nome significa ‘doce de mil anos’, representando o desejo de vida longa e saudável.

Depois da cerimônia, muitas famílias fazem uma refeição especial em restaurante ou em casa e tiram fotos em estúdio profissional. Esse é o momento de registrar a memória, e para muitas famílias brasileiras, é também uma forma de mostrar aos avós no Brasil que a criança está crescendo conectada às tradições locais.

Onde e como alugar kimono para a criança

Comprar um kimono infantil novo pode custar de algumas dezenas de milhares de ienes a valores bem altos, dependendo da qualidade e do modelo. A maioria das famílias, incluindo as japonesas, aluga. As opções mais comuns são:

  • Estúdios fotográficos especializados (foto-ya): muitos oferecem pacotes completos que incluem sessão de fotos, aluguel de kimono, arrumação (vestir e pentear a criança) e até maquiagem leve para meninas. Alguns pacotes permitem que a família leve o kimono para a visita ao santuário no mesmo dia ou em data próxima.
  • Lojas especializadas em aluguel de kimono: presentes em cidades médias e grandes, oferecem ampla variedade de modelos e tamanhos. A equipe ajuda a vestir a criança, mas a sessão de fotos é separada.
  • Lojas de departamento: redes como Aeon e Ito Yokado têm serviço de aluguel de kimono infantil durante a temporada, com preços acessíveis e atendimento mais simples.

Reserve com antecedência, especialmente se a celebração for em fim de semana de novembro. Os modelos mais bonitos e os horários mais convenientes esgotam rápido. Se você não fala japonês, leve alguém que fale ou use aplicativo de tradução; a maioria das lojas está acostumada com estrangeiros e é receptiva.

A visita ao santuário: o que esperar

A maioria dos santuários xintoístas oferece cerimônia de Shichi-Go-San durante a temporada. Santuários grandes e famosos, como o Meiji Jingu em Tóquio, ficam extremamente cheios e o atendimento é mais impessoal. Santuários locais de bairro costumam ser mais tranquilos, acolhedores e adequados para crianças pequenas que podem se cansar ou ficar inquietas.

Em muitos santuários, não é necessário agendar: a família chega, paga a taxa de cerimônia na recepção (geralmente alguns milhares de ienes) e aguarda a próxima sessão. Em santuários maiores ou em dias de pico, pode ser necessário reservar com antecedência. Ligue ou visite o site do santuário para confirmar.

Durante a cerimônia, a família entra no salão principal (haiden) e o sacerdote realiza a purificação e a prece. A cerimônia dura entre 15 e 30 minutos. A criança recebe o chitose ame e, em alguns santuários, um pequeno amuleto de proteção (omamori). Não é necessário falar japonês; basta seguir os gestos dos outros participantes (curvar-se quando todos curvam, bater palmas quando todos batem).

Se a criança chorar, ficar cansada ou não quiser participar, não há problema. Muitas famílias adaptam: fazem a visita de forma mais curta, pulam a cerimônia formal e apenas rezam no altar externo, ou celebram de forma mais simples em casa. O importante é que a experiência seja positiva para a família, não estressante.

Custos envolvidos: quanto custa o Shichi-Go-San

Os valores variam bastante conforme a cidade, o santuário, o estúdio fotográfico e as escolhas da família. Como referência geral, os custos costumam se distribuir da seguinte forma:

  • Aluguel de kimono: pode variar de alguns milhares de ienes (em lojas de departamento) até 20 mil ienes ou mais (em lojas especializadas com modelos premium).
  • Sessão de fotos em estúdio: pacotes completos costumam começar em torno de 10 a 20 mil ienes, podendo chegar a 50 mil ienes ou mais dependendo do número de fotos, álbuns impressos e serviços incluídos.
  • Taxa de cerimônia no santuário: geralmente entre 5 mil e 10 mil ienes, dependendo do santuário e do tipo de cerimônia (individual ou coletiva).
  • Refeição especial em restaurante: varia conforme o local, mas muitas famílias reservam entre 5 mil e 15 mil ienes para uma refeição em família após a cerimônia.

Esses valores são aproximados e podem mudar conforme a região e o ano. Confirme diretamente com os estabelecimentos antes de tomar a decisão. Muitas famílias brasileiras optam por equilibrar: investem mais no que consideram prioritário (fotos, kimono bonito) e economizam em outras partes (santuário local em vez de famoso, refeição em casa).

O chitose ame e o que fazer com ele

O chitose ame é um doce de açúcar tradicional, duro e em formato de bastão alongado, embalado em saco decorado com desenhos de tartarugas, guindastes e pinheiros, todos símbolos de longevidade. A criança recebe o pacote no santuário após a cerimônia.

O doce é comestível, mas é muito duro e doce, então muitas crianças pequenas não conseguem ou não querem comer. Não há problema em guardar como lembrança ou dividir com a família. Algumas famílias guardam o saco decorado como recordação e descartam o doce depois de alguns meses. Não há regra rígida; o símbolo e a experiência são mais importantes do que consumir o produto em si.

Como famílias brasileiras podem participar e se sentir incluídas

Muitas famílias brasileiras, especialmente aquelas formadas por casais mistos (nikkei e não nikkei) ou descendentes de outras gerações, podem sentir dúvida se têm ‘direito’ de participar de uma tradição tão japonesa. A resposta é sim. O Shichi-Go-San é uma celebração comunitária e cultural, não exclusiva de japoneses étnicos.

Santuários xintoístas recebem famílias estrangeiras regularmente, e a presença de crianças de diferentes origens é vista com naturalidade, especialmente em regiões com população estrangeira significativa, como Shizuoka, Aichi e Gunma. Se você mora no Japão com a família, participar dessa tradição é uma forma de integrar a criança à cultura local e criar memórias que vão além da rotina de trabalho e escola.

Se você não fala japonês fluentemente, leve alguém que fale ou use ferramentas de tradução. A comunicação básica no santuário e na loja de kimono costuma ser simples e visual. Muitas famílias brasileiras também adaptam a celebração: fazem uma festinha brasileira em casa depois da visita ao santuário, explicam a tradição para os avós no Brasil por videochamada durante o dia ou registram tudo em redes sociais para compartilhar com a família no Brasil.

Para quem está planejando morar no Japão com a família, conhecer tradições como essa antes de embarcar ajuda a se preparar emocionalmente e a ver o país não apenas como local de trabalho, mas como espaço de vida completa, com rituais, laços comunitários e oportunidades de criar raízes culturais para os filhos.

Preparando a criança para o dia

Vestir kimono é bonito, mas pode ser desconfortável para crianças pequenas. O kimono infantil é amarrado com várias camadas de faixas, e o calçado tradicional (zori ou geta) pode machucar os pés de quem não está acostumado. Prepare a criança com antecedência:

  • Explique o que vai acontecer no dia, de forma simples e positiva.
  • Mostre fotos de outras crianças no Shichi-Go-San para criar expectativa.
  • Leve meias confortáveis e um par de sapatos comuns na bolsa, caso a criança não aguente o calçado tradicional o dia todo.
  • Planeje pausas: depois das fotos, deixe a criança descansar antes de ir ao santuário.
  • Leve água, lanchinhos e brinquedos pequenos para manter a criança calma enquanto aguarda a cerimônia.

O objetivo é que a criança guarde uma memória boa do dia, não uma lembrança cansativa ou estressante. Se for necessário simplificar o roteiro, simplifique. A tradição é para a família, não a família para a tradição.

Erros comuns que famílias brasileiras cometem

  • Deixar tudo para a última hora: estúdios fotográficos e lojas de kimono ficam lotados em outubro e novembro. Reserve com pelo menos dois meses de antecedência.
  • Escolher santuário famoso em dia de pico: a experiência pode ser frustrante com criança pequena. Santuários locais oferecem ambiente mais tranquilo e acolhedor.
  • Achar que precisa falar japonês perfeitamente: a comunicação básica é suficiente. Use gestos, aplicativos de tradução e não tenha medo de pedir ajuda.
  • Esquecer de confirmar a idade da criança no sistema local: se houver dúvida sobre qual ano celebrar, pergunte a outros pais ou ao santuário antes de agendar tudo.
  • Forçar a criança a participar de todas as etapas: se a criança não estiver confortável, adapte. Uma visita rápida ao santuário e fotos em casa podem ser suficientes.
  • Não tirar fotos no santuário: é permitido fotografar em quase todos os santuários, exceto dentro do salão durante a cerimônia. Aproveite para registrar o momento no pátio externo.

Outras tradições de passagem infantil no Japão

O Shichi-Go-San faz parte de um ciclo de rituais de passagem que marcam o crescimento das crianças no Japão. Conhecer outras tradições ajuda a família a se planejar e a entender melhor a cultura local:

  • Omiyamairi: primeira visita ao santuário com o bebê, geralmente cerca de um mês após o nascimento (30 dias para meninos, 31 para meninas em algumas regiões).
  • Hatsu-sekku: primeira celebração do Dia das Meninas (3 de março) ou do Dia dos Meninos (5 de maio) após o nascimento.
  • Entrada na escola (Nyuugakushiki): cerimônia de entrada no ensino fundamental, em abril, com traje formal e fotos em família.

Cada tradição tem significado próprio e pode ser vivida de forma adaptada pela família. O importante é escolher o que faz sentido para vocês e criar memórias que fortaleçam o vínculo familiar e a conexão da criança com o lugar onde vive.

Se você está planejando viver no Japão com a família, conhecer tradições como o Shichi-Go-San faz parte de construir uma vida completa, não só trabalhar. A DAIKOKU conecta famílias brasileiras a oportunidades de trabalho no Japão e oferece suporte em português antes, durante e depois do embarque, incluindo indicação de escolas brasileiras com currículo do MEC em regiões como Shizuoka, onde a comunidade brasileira é consolidada e a vida cultural é mais rica para quem tem filhos. Ver as oportunidades para famílias no Japão.

Conclusão

O Shichi-Go-San é uma tradição acessível, significativa e emocionante para famílias brasileiras que moram no Japão. Participar não exige perfeição cultural ou fluência em japonês, apenas vontade de viver a experiência e criar memórias com os filhos. Planejar com antecedência, conhecer as opções de custo, escolher santuários e estúdios adequados ao perfil da família e, principalmente, adaptar a celebração ao conforto da criança fazem toda a diferença. No final, o que fica não é só a foto no kimono, mas a sensação de ter honrado o crescimento saudável de quem você mais ama.

Perguntas frequentes

Meu filho não é japonês, pode participar do Shichi-Go-San?

Sim. O Shichi-Go-San é uma celebração comunitária e cultural aberta a todas as famílias que moram no Japão. Santuários xintoístas recebem crianças de diferentes origens regularmente, e a participação de famílias estrangeiras é vista com naturalidade, especialmente em regiões com população brasileira significativa.

Preciso falar japonês para participar da cerimônia no santuário?

Não é obrigatório. A cerimônia no santuário é visual e ritualística, e basta seguir os gestos dos outros participantes. A comunicação básica na recepção costuma ser simples, e você pode usar aplicativos de tradução ou levar alguém que fale japonês se preferir mais segurança.

Posso celebrar o Shichi-Go-San em data diferente de 15 de novembro?

Sim, e a maioria das famílias faz isso. Como o dia 15 de novembro costuma cair em dia de semana, a celebração acontece em fins de semana de outubro e novembro. Estúdios fotográficos e santuários aceitam agendamentos fora da data oficial sem problema.

Quanto custa participar do Shichi-Go-San no Japão?

Os custos variam conforme a região e as escolhas da família. Em geral, o aluguel de kimono pode custar de alguns milhares a 20 mil ienes, a sessão de fotos em estúdio de 10 a 50 mil ienes, a taxa de cerimônia no santuário entre 5 e 10 mil ienes, e uma refeição especial de 5 a 15 mil ienes. Confirme os valores diretamente com os estabelecimentos antes de decidir.

O que fazer se a criança não quiser usar o kimono ou participar da cerimônia?

Adapte a celebração ao conforto da criança. Muitas famílias simplificam o roteiro: fazem apenas as fotos, pulam a cerimônia formal e rezam no altar externo do santuário, ou celebram de forma mais simples em casa. O importante é que a experiência seja positiva para a família, não estressante.

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