Como funciona o adicional de calor em fábrica no Japão: o que a lei garante e o que negociar

O adicional de calor em fábrica no Japão não é garantido por lei específica, mas pode ser negociado por convenção coletiva ou acordo interno. Este guia explica como funciona na prática, quais perguntas fazer à empreiteira antes de aceitar a vaga e como identificar o adicional no holerite.

DAIKOKU

julho 28, 2026
Trabalhador brasileiro descendente de japonês usando equipamento de proteção individual em ambiente de fundição de metais com alta temperatura no Japão

O adicional de calor em fábrica no Japão não existe como categoria legal específica na legislação trabalhista japonesa da mesma forma que existe no Brasil. O que a lei japonesa prevê são obrigações de saúde ocupacional para ambientes de trabalho com temperatura elevada, regulamentadas pela Lei de Segurança e Higiene Industrial (Roudou Anzen Eisei Hou), e o pagamento de adicionais por condições de trabalho (teate) negociados por convenção coletiva ou acordo direto entre empresa e trabalhador. Na prática, fundições, linhas de soldagem e setores de produção com fornos podem oferecer um valor adicional por hora ou por turno para compensar o trabalho em ambiente quente, mas esse adicional costuma ser definido por negociação setorial ou política interna da empresa, não por imposição legal direta. O trabalhador que vai aceitar uma vaga em ambiente de alta temperatura precisa saber exatamente o que perguntar à empreiteira antes de assinar o contrato e como verificar se o adicional prometido está realmente garantido por escrito.

Resumo rápido

  • Não existe ‘adicional de calor’ fixo por lei trabalhista no Japão como existe no Brasil
  • A Lei de Segurança e Higiene Industrial obriga o empregador a adotar medidas de controle de temperatura e pausas em ambientes quentes
  • Adicionais por trabalho em calor (atsusa teate ou similar) são negociados por convenção coletiva, sindicato ou acordo interno da empresa
  • Empreiteiras podem incluir o adicional no salário-hora base ou pagar separadamente como teate
  • O trabalhador deve exigir a descrição do ambiente de trabalho, temperatura média e valor do adicional por escrito no contrato antes de embarcar
  • Fundição, soldagem e linhas com fornos são os setores onde o adicional por calor costuma aparecer com mais frequência

O que a legislação japonesa prevê sobre ambientes de trabalho com calor

A legislação trabalhista japonesa não cria um adicional salarial obrigatório para ambientes quentes da mesma forma que a CLT brasileira prevê adicional de insalubridade por calor. O que a Roudou Anzen Eisei Hou (Lei de Segurança e Higiene Industrial) estabelece são obrigações de prevenção de doenças ocupacionais relacionadas ao calor, como controle de temperatura interna, ventilação adequada, fornecimento de água potável, pausas obrigatórias e monitoramento da saúde dos trabalhadores expostos a ambientes de alta temperatura.

Essas obrigações aplicam-se tanto a ambientes externos (obras, construção civil) quanto internos (fundição, fornos industriais, linhas de solda). O empregador japonês que não cumpre essas medidas de segurança pode ser autuado pelo Ministério do Trabalho japonês, mas a multa ou penalidade não se converte automaticamente em pagamento adicional para o trabalhador. O que o trabalhador pode receber além do salário-base é um teate (adicional) negociado por convenção coletiva do setor, acordo sindical ou política interna da empresa-mãe (ukeoi) e da empreiteira (haken gaisha).

Na prática, setores como fundição de metais, indústria automotiva (especialmente linhas de pintura e soldagem) e produção de componentes eletrônicos com fornos de alta temperatura costumam incluir algum tipo de compensação por ambiente quente, mas essa compensação varia muito de empresa para empresa e de região para região. O trabalhador brasileiro contratado por empreiteira precisa entender que o que ele vai receber depende muito mais do que foi acordado entre a empresa-mãe e a empreiteira do que do que a lei garante de forma direta.

Adicional de calor versus adicional de periculosidade: diferenças importantes

Muitos trabalhadores confundem o adicional de calor com o adicional de periculosidade (kikken teate). O kikken teate é um adicional pago por risco de acidente grave ou morte, como trabalho com explosivos, alta tensão elétrica, produtos químicos perigosos ou operação de máquinas de risco elevado. Esse adicional costuma aparecer no holerite japonês quando a função envolve risco direto de acidente fatal.

Já o adicional por trabalho em ambiente quente não é tratado como periculosidade no Japão, e sim como questão de saúde ocupacional (anzen eisei). O calor excessivo pode causar exaustão térmica, desidratação, queda de produtividade e doenças crônicas, mas não é classificado como risco de morte iminente. Por isso, o adicional relacionado ao calor costuma aparecer no holerite com outro nome, se aparecer separado do salário-base: atsusa teate (adicional de calor), kankyou teate (adicional de ambiente) ou kankyo shoteate (adicional de condições de trabalho).

Em muitos casos, especialmente em contratos de empreiteira, o adicional de calor não aparece separado no holerite. A empreiteira já inclui o valor no salário-hora base anunciado na proposta de vaga. Isso não é ilegal, mas torna mais difícil para o trabalhador comparar ofertas e saber exatamente quanto do que ele recebe corresponde ao trabalho em ambiente quente. Por isso, antes de aceitar a vaga, é fundamental perguntar: o salário-hora anunciado já inclui compensação por ambiente quente, ou o adicional será pago separadamente?

Como o adicional de calor é negociado: convenção coletiva e acordo interno

A maior parte dos adicionais salariais no Japão, incluindo o adicional por trabalho em calor, é definida por convenção coletiva (roudou kyouyaku) negociada entre o sindicato do setor e a empresa-mãe. Setores como automotivo, metalurgia e indústria pesada possuem sindicatos fortes que negociam anualmente as condições de trabalho, incluindo adicionais por ambiente insalubre, turno noturno, horas extras e feriados.

O problema para o trabalhador brasileiro dekassegui contratado via empreiteira é que, na maioria dos casos, ele não é funcionário direto da empresa-mãe, e sim da empreiteira. Isso significa que ele pode não estar coberto pela convenção coletiva negociada pelo sindicato da empresa-mãe. A empreiteira pode ter sua própria convenção coletiva, ou simplesmente não ter, dependendo do tamanho e da região onde opera. Quando a empreiteira não tem convenção coletiva, o adicional de calor depende exclusivamente da negociação individual entre a empreiteira e o trabalhador, ou da política interna da empreiteira.

Algumas empreiteiras maiores, que trabalham exclusivamente com setores específicos como fundição ou automotivo, costumam manter uma tabela interna de adicionais por tipo de ambiente. Outras empreiteiras menores simplesmente oferecem um salário-hora único, sem separar o que é salário-base e o que é adicional. Por isso, antes de aceitar a vaga, o trabalhador deve perguntar diretamente à empreiteira: existe convenção coletiva que cobre essa vaga? O adicional de calor está previsto nessa convenção? Qual o valor do adicional e como ele aparece no holerite?

Setores onde o adicional de calor costuma aparecer

Nem toda vaga de fábrica no Japão envolve trabalho em ambiente de alta temperatura. O adicional de calor costuma aparecer com mais frequência em setores específicos, onde a natureza do processo produtivo exige exposição direta a fontes de calor elevado. Os principais setores são:

Fundição de metais

Fundições que produzem peças de ferro, alumínio e aço trabalham com fornos de alta temperatura, muitas vezes acima de 1.000 graus Celsius. O trabalhador que opera próximo ao forno, faz o vazamento de metal líquido ou retira peças recém-fundidas está exposto a calor intenso durante todo o turno. Nesse setor, o adicional de calor costuma ser mais comum e pode variar entre 50 e 200 ienes por hora, dependendo da empresa e da função específica. Esse adicional pode aparecer no holerite como atsusa teate ou como parte de um adicional geral de ambiente (kankyou teate).

Soldagem e pintura automotiva

Linhas de soldagem, especialmente soldagem a arco e soldagem robotizada, geram calor elevado e exigem uso de roupas de proteção pesadas, o que aumenta a sensação térmica. Linhas de pintura com fornos de secagem também expõem o trabalhador a temperaturas elevadas. Nesse setor, o adicional de calor costuma ser menor que em fundição, mas ainda assim pode aparecer, especialmente em empresas-mãe que mantêm convenção coletiva forte. O valor costuma variar entre 30 e 100 ienes por hora.

Produção de componentes eletrônicos e semicondutores

Alguns processos de fabricação de componentes eletrônicos envolvem fornos de alta temperatura para tratamento térmico, soldagem de circuitos e cura de resinas. O trabalhador que opera próximo a esses fornos pode receber adicional de calor, mas esse setor costuma ter ambientes mais controlados e climatizados que fundição ou soldagem, então o adicional tende a ser menor ou inexistente.

Processamento de alimentos e embalagens

Linhas de processamento de alimentos com fornos industriais (pães, biscoitos, produtos enlatados) também podem gerar ambiente de calor elevado. Nesse setor, o adicional costuma ser menos comum e, quando existe, tende a ser baixo, porque a temperatura não chega aos níveis de fundição ou soldagem.

O que perguntar à empreiteira antes de aceitar a vaga

A maior parte dos problemas relacionados a adicional de calor acontece porque o trabalhador aceita a vaga sem saber exatamente o que está garantido por escrito no contrato. Muitas empreiteiras fazem promessas verbais sobre adicionais, benefícios e condições de trabalho que não aparecem no contrato assinado. Depois que o trabalhador já está no Japão, é muito mais difícil negociar ou reclamar. Por isso, antes de aceitar qualquer vaga em ambiente de alta temperatura, faça as seguintes perguntas diretamente à empreiteira e exija as respostas por escrito:

  • Qual a temperatura média do ambiente de trabalho durante o turno? A empresa-mãe ou a empreiteira deve informar a temperatura média registrada no setor onde você vai trabalhar. Se a temperatura média for acima de 30 graus Celsius em ambiente fechado, existe base para negociar adicional.
  • Existe adicional de calor previsto para essa vaga? Se sim, qual o valor por hora ou por turno? Essa informação deve aparecer no contrato de trabalho ou na proposta de vaga por escrito.
  • O adicional de calor está incluído no salário-hora base ou é pago separadamente? Se estiver incluído, pergunte qual o valor do salário-base sem o adicional e qual o valor do adicional. Isso permite comparar com outras ofertas de forma justa.
  • Como o adicional de calor aparece no holerite? Qual o nome em japonês do adicional (atsusa teate, kankyou teate, outro)? Peça um modelo de holerite para confirmar como o adicional será discriminado.
  • O adicional de calor está previsto em convenção coletiva ou é política interna da empreiteira? Se estiver em convenção coletiva, peça uma cópia do trecho relevante. Se for política interna, peça o documento oficial da empreiteira que garante o adicional.
  • O adicional de calor é pago durante todo o ano ou apenas nos meses de verão? Algumas empresas pagam adicional de calor apenas entre junho e setembro. Isso afeta o cálculo da renda anual.
  • Quais medidas de segurança a empresa-mãe adota para ambientes quentes (pausas, fornecimento de água, ventilação, ar-condicionado)? A presença de medidas de controle de temperatura pode compensar a ausência de adicional salarial, mas isso deve ser avaliado caso a caso.

Se a empreiteira não responder a essas perguntas de forma clara e por escrito, considere isso um sinal de alerta. Empreiteiras sérias sabem exatamente quais adicionais estão previstos no contrato com a empresa-mãe e repassam essa informação ao trabalhador antes do embarque. Ao buscar uma vaga em fábrica no Japão, escolha processos que garantem transparência total sobre salário-base, adicionais e condições de trabalho desde a primeira conversa.

Como identificar o adicional de calor no holerite japonês

O holerite japonês (kyuuyo meisai) discrimina todos os valores que compõem o salário do mês: salário-base (kihon kyuu), horas extras (zangyou teate), adicional noturno (shinya teate), adicional de férias ou feriados (kyuujitsu teate) e outros adicionais específicos. Se a vaga inclui adicional de calor pago separadamente, ele deve aparecer no holerite com um nome específico. Os nomes mais comuns são:

  • 暑さ手当 (atsusa teate): adicional de calor, termo direto e específico
  • 環境手当 (kankyou teate): adicional de ambiente, usado quando a empresa agrupa vários tipos de condições adversas (calor, ruído, poeira) em um único adicional
  • 環境諸手当 (kankyou shoteate): adicional de condições de trabalho, ainda mais genérico
  • 作業環境手当 (sagyou kankyou teate): adicional de ambiente de trabalho, variação do anterior

Se o holerite não mostra nenhum desses termos, mas você trabalha em ambiente de alta temperatura, o adicional pode estar embutido no salário-hora base (jikyu). Nesse caso, o único jeito de saber é comparar o salário-hora que você recebe com o salário-hora de colegas que trabalham em funções semelhantes, mas em ambiente com temperatura normal. Se a diferença for de 50 a 200 ienes por hora, provavelmente esse é o adicional de calor embutido.

Outra forma de identificar é conferir o contrato de trabalho (roudou keiyakusho) que você assinou ao entrar na empresa. O contrato deve discriminar o salário-hora base e todos os adicionais que compõem o salário total. Se o contrato menciona atsusa teate ou kankyou teate, mas o holerite não mostra esse valor separado, você tem direito de questionar a empreiteira ou a empresa-mãe. Guarde sempre uma cópia do contrato de trabalho e dos três primeiros holerites que você receber, para poder comparar e identificar discrepâncias.

Diferença entre o que a empresa-mãe paga e o que a empreiteira repassa

Um ponto que muitos trabalhadores brasileiros no Japão desconhecem é que a empreiteira (haken gaisha) recebe da empresa-mãe (ukeoi) um valor por hora de trabalho do funcionário que é maior do que o salário-hora que o funcionário recebe. Essa diferença é a margem de lucro da empreiteira, que cobre custos administrativos, seguro, treinamento e o lucro da operação. O problema acontece quando a empresa-mãe paga um adicional de calor para a empreiteira, mas a empreiteira não repassa esse adicional integralmente para o trabalhador.

Por exemplo: a empresa-mãe pode pagar à empreiteira 1.800 ienes por hora de trabalho de um soldador em ambiente quente, sendo 1.500 ienes de salário-base e 300 ienes de adicional de calor. A empreiteira, por sua vez, pode repassar ao trabalhador apenas 1.400 ienes por hora, embutindo o adicional de calor na margem de lucro. Isso não é necessariamente ilegal, se o contrato de trabalho entre a empreiteira e o trabalhador prevê apenas o salário-hora final de 1.400 ienes, sem discriminar adicionais.

A única forma de evitar essa situação é exigir transparência antes de assinar o contrato. Pergunte à empreiteira: qual o valor que a empresa-mãe paga por hora de trabalho nessa vaga? Qual a composição desse valor (salário-base, adicional de calor, outros adicionais)? Qual o valor que será repassado para mim e como ele é composto? Empreiteiras que trabalham de forma ética não têm problema em responder essas perguntas. Empreiteiras que fogem do assunto ou dão respostas vagas provavelmente não repassam todos os adicionais de forma justa.

Obrigações do empregador japonês em ambientes de calor

Mesmo quando não existe adicional salarial por calor, a empresa japonesa que expõe trabalhadores a ambiente de alta temperatura tem obrigações legais de saúde ocupacional que devem ser cumpridas. Essas obrigações estão previstas na Roudou Anzen Eisei Hou e nos regulamentos administrativos do Ministério do Trabalho japonês. As principais obrigações são:

  • Fornecimento de água potável gelada em quantidade suficiente para todos os trabalhadores do turno, em pontos acessíveis próximos ao local de trabalho
  • Pausas obrigatórias em ambiente climatizado ou sombreado, com duração mínima de 10 minutos a cada hora de trabalho quando a temperatura ambiente ultrapassar 35 graus Celsius
  • Monitoramento da temperatura interna do ambiente de trabalho com termômetros instalados em pontos estratégicos e registro diário das temperaturas máximas
  • Fornecimento de equipamentos de proteção individual adequados ao trabalho em calor, como luvas térmicas, aventais de proteção contra calor radiante e capacetes com forro térmico
  • Exame médico ocupacional periódico para trabalhadores expostos a calor elevado por mais de 4 horas diárias, com atenção especial a sinais de exaustão térmica, desidratação crônica e doenças cardiovasculares
  • Treinamento obrigatório sobre prevenção de doenças relacionadas ao calor, sintomas de alerta e primeiros socorros em caso de mal súbito durante o trabalho

Se a empresa-mãe ou a empreiteira não cumpre essas obrigações, o trabalhador pode denunciar ao Roudou Kijun Kantokusho (Fiscalização de Padrões Trabalhistas) da região onde trabalha. A denúncia pode ser feita em português por meio do sindicato dos trabalhadores estrangeiros ou por meio de organizações de apoio a dekasseguis. A fiscalização pode autuar a empresa e obrigar a adoção das medidas de segurança. No entanto, a autuação não gera automaticamente pagamento retroativo de adicional de calor para o trabalhador, porque o adicional não é garantido por lei, e sim por acordo.

Erros comuns ao aceitar vaga em ambiente de calor

Muitos trabalhadores brasileiros aceitam vagas em fundição, soldagem ou linhas de produção quentes sem entender as condições reais do ambiente de trabalho e os direitos que têm. Os erros mais comuns são:

  • Aceitar a vaga baseado apenas no salário-hora anunciado, sem perguntar se o adicional de calor está incluído ou é pago separadamente. Isso dificulta a comparação com outras ofertas e pode resultar em renda menor do que o esperado.
  • Assinar o contrato de trabalho sem ler ou sem entender os termos em japonês. Muitos contratos não discriminam adicionais de forma clara, e o trabalhador só descobre isso ao receber o primeiro holerite no Japão.
  • Confiar em promessas verbais da empreiteira sobre adicionais, benefícios e condições de trabalho. Se não está no contrato por escrito, não existe garantia.
  • Não perguntar sobre as medidas de segurança e saúde ocupacional da empresa-mãe. Um salário-hora alto em ambiente sem pausas, sem água gelada e sem ventilação adequada pode resultar em problemas de saúde graves em poucos meses.
  • Aceitar vaga em fundição ou soldagem sem experiência prévia e sem entender o nível de exigência física e o risco de acidentes. Esses setores têm alta rotatividade exatamente porque muitos trabalhadores não conseguem se adaptar ao ritmo e às condições do ambiente.
  • Não conferir se a empreiteira está inscrita no registro oficial de empreiteiras (haken jigyo torokusho) do Ministério do Trabalho japonês. Empreiteiras não registradas podem não cumprir obrigações trabalhistas básicas.

O que fazer quando o adicional prometido não aparece no holerite

Se você aceitou uma vaga com promessa de adicional de calor e o adicional não aparece no holerite ou o valor é menor do que o combinado, siga os passos abaixo:

  • Confira o contrato de trabalho que você assinou. Se o adicional está previsto no contrato com valor específico, você tem base legal para reclamar.
  • Reúna todos os holerites dos meses em que o adicional não foi pago ou foi pago a menor. Guarde também qualquer e-mail, mensagem ou documento em que a empreiteira tenha prometido o adicional.
  • Entre em contato com o responsável da empreiteira (tantousha) e pergunte por que o adicional não aparece no holerite. Peça a explicação por escrito, de preferência por e-mail.
  • Se a empreiteira não resolver, procure o sindicato dos trabalhadores estrangeiros da região onde você mora. Os principais sindicatos de apoio a dekasseguis têm atendimento em português e podem mediar a negociação com a empreiteira.
  • Se o sindicato não resolver, você pode fazer uma consulta no Roudou Kijun Kantokusho. Leve o contrato de trabalho, os holerites e qualquer documento que comprove a promessa do adicional. A fiscalização pode convocar a empreiteira e exigir o pagamento retroativo.
  • Em último caso, você pode entrar com ação trabalhista no tribunal de pequenas causas (shoukai saiban) do Japão. O processo é rápido, de baixo custo e pode ser feito com apoio de organizações de direitos trabalhistas.

O ponto importante é nunca deixar passar. Muitos trabalhadores brasileiros no Japão preferem não reclamar por medo de perder a vaga ou de ser mal visto pela empreiteira. Esse medo é compreensível, mas alimenta práticas abusivas. Se o adicional está no contrato, você tem direito de receber. Se a empreiteira não cumpre o contrato, ela está violando a lei trabalhista japonesa, e você tem amparo legal para exigir o cumprimento.

Você está avaliando vagas em fundição, soldagem ou linhas de produção quentes e quer saber exatamente o que está garantido no contrato antes de embarcar? A DAIKOKU trabalha exclusivamente com empresas japonesas que informam por escrito todas as condições da vaga, incluindo salário-base, adicionais discriminados, temperatura do ambiente de trabalho e medidas de segurança. Você sabe o que vai receber antes de assinar qualquer contrato, e todo o processo é feito com transparência total desde a primeira conversa. Ver as vagas com adicional de calor discriminado.

Comparando ofertas: salário-hora único versus salário-base mais adicionais

Quando você está avaliando ofertas de vaga em fábrica no Japão, especialmente em setores de calor elevado, é comum encontrar dois modelos de apresentação do salário:

Modelo 1: Salário-hora único, onde a empreiteira anuncia um valor total por hora (por exemplo, 1.600 ienes por hora) sem discriminar o que é salário-base e o que são adicionais. Nesse modelo, o adicional de calor, se existir, já está embutido no valor anunciado.

Modelo 2: Salário-base mais adicionais discriminados, onde a empreiteira anuncia o salário-base (por exemplo, 1.300 ienes por hora) e lista os adicionais separadamente: adicional de calor (200 ienes), adicional noturno (100 ienes), adicional de produção (100 ienes), totalizando 1.700 ienes por hora.

Qual modelo é melhor? Depende. O modelo 2 oferece mais transparência e permite que você saiba exatamente quanto está ganhando por cada condição de trabalho. Isso facilita a comparação com outras ofertas e a negociação futura. O modelo 1 pode ser mais simples de entender, mas esconde a composição do salário. Se você mudar de setor dentro da mesma empresa e deixar de trabalhar em ambiente quente, no modelo 2 você perde apenas o adicional de calor e mantém o salário-base. No modelo 1, a empresa pode reduzir o salário-hora total sem explicação clara, alegando que você mudou de função.

Por isso, quando estiver comparando ofertas, sempre pergunte qual o salário-base e quais adicionais compõem o salário-hora total. Se a empreiteira não souber ou não quiser responder, prefira ofertas mais transparentes.

Conclusão

O adicional de calor em fábrica no Japão não é um direito garantido por lei como no Brasil, mas pode ser negociado por convenção coletiva, acordo setorial ou política interna da empresa. O trabalhador que vai aceitar uma vaga em ambiente de alta temperatura precisa entender que o adicional depende muito mais do que foi acordado entre a empresa-mãe e a empreiteira do que do que a legislação japonesa garante de forma direta. Saber quais perguntas fazer antes de assinar o contrato, como identificar o adicional no holerite e o que fazer quando o adicional prometido não aparece são habilidades fundamentais para quem quer trabalhar com segurança e dignidade no Japão. A transparência da empreiteira sobre salário-base, adicionais e condições de trabalho é o melhor indicador de um processo sério e respeitoso.

Perguntas frequentes

Existe adicional de calor obrigatório por lei no Japão?

Não. A legislação trabalhista japonesa não prevê adicional salarial obrigatório por calor como a CLT brasileira. O que a lei garante são medidas de saúde ocupacional (pausas, água, ventilação). O adicional de calor, quando existe, é negociado por convenção coletiva, sindicato ou acordo interno da empresa.

Como saber se o adicional de calor está incluído no salário-hora?

Pergunte diretamente à empreiteira se o salário-hora anunciado já inclui compensação por ambiente quente ou se o adicional será pago separadamente. Peça a resposta por escrito e confira o contrato de trabalho. Se o adicional aparecer separado no holerite, você saberá exatamente quanto recebe por essa condição.

Quais setores no Japão costumam pagar adicional de calor?

Fundição de metais, soldagem, linhas de produção com fornos industriais e pintura automotiva são os setores onde o adicional de calor costuma aparecer com mais frequência. O valor pode variar de 50 a 200 ienes por hora, dependendo da empresa e da função.

O adicional de calor aparece no holerite japonês com que nome?

Os nomes mais comuns são atsusa teate (暑さ手当), kankyou teate (環境手当) ou kankyou shoteate (環境諸手当). Se nenhum desses termos aparecer no holerite, o adicional pode estar embutido no salário-hora base. Confira o contrato de trabalho para confirmar.

O que fazer se o adicional prometido não aparecer no holerite?

Confira o contrato de trabalho. Se o adicional está previsto, entre em contato com a empreiteira e peça explicação por escrito. Se não resolver, procure o sindicato dos trabalhadores estrangeiros da região ou consulte o Roudou Kijun Kantokusho (Fiscalização de Padrões Trabalhistas) com o contrato e os holerites em mãos.

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