Como funciona o sistema de faltas e atestados no Japão: guia prático para brasileiros

Este guia explica como funciona o sistema de faltas e atestados médicos no Japão para brasileiros que trabalham no país. Você aprenderá a diferença entre tipos de ausência, como comunicar corretamente a empresa, o que acontece com o salário quando você falta, como obter e apresentar atestado médico, e quais são as consequências de faltas no contrato e na renovação. O artigo inclui frases úteis em japonês, checklist prático e orientações sobre direitos legais.

DAIKOKU

julho 11, 2026
Homem nikkei de 30 anos falando ao telefone em casa no Japão, comunicando falta por doença à empresa

Precisar faltar ao trabalho no Japão gera muitas dúvidas para brasileiros: como avisar a empresa, se o atestado médico garante o pagamento do dia, qual o impacto no contrato e na avaliação de desempenho. O sistema japonês funciona de forma diferente do brasileiro, com regras específicas de comunicação, desconto no salário e consequências que variam conforme o tipo de ausência e a política de cada empresa.

Resumo rápido

  • No Japão, falta por doença geralmente não é remunerada, mesmo com atestado médico
  • Você deve avisar a empresa antes do início do turno, preferencialmente por telefone
  • Atestado médico (shindansho) justifica a ausência, mas não impede desconto proporcional no salário
  • Faltas frequentes ou não justificadas podem levar a advertência, afetar renovação de contrato e impactar avaliação de desempenho
  • Diferença entre falta simples (kekkin) e licença médica formal (kyūgyō) determina direitos e procedimentos
  • Comunicação em japonês é esperada; empresas com suporte em português facilitam o processo

Tipos de ausência no sistema trabalhista japonês

O Japão distingue claramente entre diferentes tipos de falta, cada um com suas regras e consequências. Compreender essa diferença evita problemas com a empresa e ajuda a proteger seus direitos.

Falta por doença (byōketsu)

Quando você não consegue trabalhar por motivo de saúde, a ausência é classificada como byōketsu. Nesse caso, você deve avisar a empresa o quanto antes, idealmente antes do horário de início do seu turno, e apresentar atestado médico quando solicitado. O atestado justifica formalmente a ausência e protege você de consequências disciplinares, mas na maioria das empresas japonesas não garante o pagamento do dia. O valor correspondente às horas não trabalhadas costuma ser descontado do salário mensal.

Algumas empresas oferecem um número limitado de dias de ausência remunerada por doença ao longo do ano, mas isso varia muito conforme a política interna e o tipo de contrato. Verifique seu contrato de trabalho ou pergunte ao setor de recursos humanos sobre essa possibilidade.

Falta por motivo pessoal (kekkin)

Ausências por razões não relacionadas à saúde são classificadas como kekkin. Isso inclui emergências familiares, problemas pessoais urgentes ou qualquer outro motivo que não seja doença. Esse tipo de falta também requer comunicação prévia à empresa, mas geralmente não exige apresentação de documento comprobatório, a menos que a empresa solicite especificamente.

Kekkin também não é remunerado na maioria dos casos, e faltas frequentes desse tipo podem ser vistas com mais severidade pela empresa do que ausências por doença, especialmente se não houver justificativa clara ou se ocorrerem em dias estratégicos, como véspera de feriado ou após folgas.

Licença médica formal (kyūgyō)

Quando a condição de saúde exige afastamento prolongado, você pode solicitar uma licença médica formal, chamada kyūgyō. Esse tipo de afastamento é diferente de uma falta simples e geralmente requer atestado médico detalhado, indicando o período de repouso necessário. Durante o kyūgyō, você pode ter direito a receber um benefício do seguro de saúde japonês (kenkō hoken), que cobre parcialmente a perda de renda, mas esse direito depende de condições específicas e do tempo de afastamento.

Para licenças médicas prolongadas, é fundamental comunicar a empresa formalmente e seguir os procedimentos internos. O não cumprimento pode afetar tanto o recebimento do benefício quanto sua posição na empresa.

Como proceder ao precisar faltar por doença

A forma como você comunica a ausência faz diferença no Japão. Seguir o procedimento correto evita problemas e demonstra respeito pelas regras da empresa.

Passo 1: avise a empresa o mais cedo possível

Ao acordar doente e perceber que não conseguirá trabalhar, ligue para a empresa antes do início do seu turno. Ligação telefônica é o método mais aceito e esperado no ambiente de trabalho japonês, mesmo que você tenha contato por aplicativo de mensagem. Se sua empresa tem suporte em português, ligue para o responsável brasileiro. Caso contrário, você precisará comunicar em japonês.

Frases úteis para essa situação:

  • Kyō wa taichō ga warui node, yasumaseté itadakimasu. (Hoje não estou me sentindo bem, por favor, gostaria de faltar.)
  • Netsu ga arimasu. Kyūkei o onegai shimasu. (Estou com febre. Gostaria de pedir dispensa.)
  • Byōin ni itte kara, rénraku shimasu. (Vou ao hospital e depois entro em contato.)

Passo 2: vá ao médico e solicite o atestado

Se a empresa solicitar atestado médico, você precisará ir a uma clínica ou hospital no Japão. O documento emitido pelo médico é chamado shindansho (診断書) e geralmente tem um custo que varia conforme a instituição, mas costuma ficar entre 2.000 e 5.000 ienes. Esse valor não é coberto pelo seguro de saúde e deve ser pago diretamente por você.

O atestado deve conter informações básicas: seu nome, data da consulta, diagnóstico resumido (como gripe, gastroenterite, etc.) e período de repouso recomendado. Algumas empresas aceitam um documento mais simples e barato, chamado ryōyōshō (療養証明書), que serve apenas para comprovar que você passou por consulta médica. Confirme com a empresa qual documento é necessário antes de solicitar ao médico.

Passo 3: entregue o atestado à empresa

Após a consulta, comunique a empresa sobre o resultado e informe quando você retornará ao trabalho. O atestado deve ser entregue pessoalmente no dia do retorno ou enviado conforme o procedimento interno da empresa. Algumas aceitam foto do documento por e-mail ou aplicativo, outras exigem o original em papel.

Guarde uma cópia do atestado para seus próprios registros. Isso pode ser útil caso haja qualquer questionamento futuro sobre a ausência ou desconto no salário.

Desconto no salário: como funciona

No Japão, a maioria das empresas desconta proporcionalmente do salário mensal os dias ou horas não trabalhados, mesmo quando a falta é justificada por atestado médico. Isso ocorre porque a remuneração é calculada com base nas horas efetivamente trabalhadas.

O cálculo do desconto costuma seguir esta lógica: salário-hora multiplicado pelo número de horas ausentes. Se você faltou um dia inteiro de oito horas e seu salário-hora é de 1.200 ienes, por exemplo, o desconto será de aproximadamente 9.600 ienes (sem considerar descontos adicionais de impostos e seguros). Esse valor aparecerá discriminado no holerite do mês.

Algumas empresas oferecem dias de ausência remunerada específicos para doença (yūkyū no byōkyū), mas isso não é uma obrigação legal e varia muito. Verifique no seu contrato de trabalho ou com o setor de RH se sua empresa oferece esse benefício e quantos dias você tem direito.

Impacto de faltas no contrato e na avaliação

Faltas frequentes, mesmo que justificadas, podem afetar sua posição na empresa de diferentes formas. No Japão, assiduidade é um critério importante na avaliação de desempenho, e ausências repetidas podem ser interpretadas como falta de comprometimento, especialmente se ocorrerem em momentos críticos de produção.

Consequências de faltas não justificadas

Se você faltar sem avisar a empresa ou sem apresentar justificativa, a situação é considerada grave. Faltas não justificadas podem resultar em advertência formal, desconto maior no salário (algumas empresas aplicam penalidades além do desconto proporcional) e, em casos repetidos, demissão por justa causa.

Para trabalhadores estrangeiros, a demissão por justa causa pode impactar diretamente a renovação do visto de trabalho, já que a permanência no Japão está vinculada ao emprego formal.

Renovação de contrato e avaliação de desempenho

No momento de renovação de contrato, a empresa revisa o histórico do trabalhador, incluindo frequência, pontualidade e número de faltas ao longo do período. Um histórico com muitas ausências, mesmo justificadas, pode influenciar negativamente a decisão de renovação ou afetar propostas de aumento salarial.

Se você tiver uma condição de saúde crônica que exige ausências periódicas, converse com a empresa de forma transparente e, se possível, apresente documentação médica explicando a situação. Transparência e comunicação clara ajudam a evitar mal-entendidos e a construir um relacionamento de confiança com o empregador.

Diferenças culturais: quando é realmente necessário faltar

No Japão, a cultura de trabalho valoriza a presença e a resistência. Muitos japoneses vão trabalhar mesmo com sintomas leves de gripe ou resfriado, usando máscara para evitar contagiar colegas. Isso pode criar uma pressão implícita sobre trabalhadores estrangeiros para fazer o mesmo.

No entanto, ir trabalhar doente pode piorar sua condição de saúde e, em alguns casos, colocar em risco a segurança no ambiente de trabalho, especialmente em funções que exigem atenção e coordenação motora, como operação de máquinas em fábrica. Avalie honestamente sua condição: se você está com febre alta, tontura, vômito ou qualquer sintoma que comprometa sua capacidade de trabalhar com segurança, é melhor faltar e comunicar a empresa.

Empresas que trabalham com brasileiros, como as que atuam via agências de recrutamento, geralmente têm uma compreensão mais equilibrada sobre ausências por doença, especialmente quando bem comunicadas e justificadas. O suporte em português facilita essa comunicação e reduz o receio de consequências exageradas.

Emergências familiares e situações especiais

Emergências familiares no Brasil, como doença grave ou falecimento de parente próximo, são situações delicadas para brasileiros que trabalham no Japão. A empresa não é obrigada por lei a conceder licença remunerada para esse tipo de situação, mas muitas aceitam ausências não remuneradas quando comunicadas com antecedência e acompanhadas de documentação comprobatória.

Se você precisar viajar ao Brasil de forma urgente, comunique a empresa o mais rápido possível, explique a situação e apresente documentos que comprovem a emergência, como atestado de óbito ou relatório médico hospitalar traduzido. Algumas empresas permitem o uso de dias de férias acumulados ou a negociação de um período de licença não remunerada.

Para trabalhadores com visto de trabalho, ausências prolongadas do Japão podem exigir comunicação prévia ao escritório de imigração, especialmente se ultrapassarem determinado período. Consulte a agência que intermediou sua contratação ou um especialista em imigração para entender suas obrigações legais antes de viajar.

Direitos legais e onde buscar apoio

A legislação trabalhista japonesa estabelece direitos básicos para todos os trabalhadores, incluindo estrangeiros. Entre eles estão o direito a um ambiente de trabalho seguro, o direito de receber salário proporcional ao trabalho realizado e o direito de não sofrer discriminação ou punição injusta.

Se você sentir que está sendo tratado de forma injusta por conta de uma falta justificada, ou se a empresa aplicar descontos indevidos no salário, você pode buscar orientação em organizações de apoio a trabalhadores estrangeiros no Japão, como o sindicato de trabalhadores da sua região ou o Consulado Brasileiro mais próximo.

O seguro de saúde japonês (kenkō hoken) também oferece suporte em casos de afastamento prolongado. Se você precisar se afastar por mais de três dias consecutivos devido a doença ou lesão, pode ter direito a receber um benefício chamado shōbyō teate, que cobre parcialmente a perda de renda. Informe-se com o setor de RH da empresa ou diretamente com a seguradora sobre os requisitos e procedimentos.

Erros comuns ao lidar com faltas no Japão

  • Avisar a empresa apenas por mensagem de texto: no Japão, ausência por doença deve ser comunicada por telefone, preferencialmente. Mensagem é vista como informal demais para algo importante.
  • Achar que o atestado médico garante pagamento do dia: na maioria dos casos, o atestado apenas justifica a ausência, mas o dia continua sendo descontado do salário.
  • Não guardar cópia dos atestados: sempre tenha uma cópia para seus registros. Isso pode ser necessário para comprovar ausências em caso de questionamento futuro.
  • Faltar sem avisar na esperança de justificar depois: avisar a empresa antes do turno é essencial. Ausência sem comunicação prévia pode ser tratada como falta grave.
  • Ir trabalhar doente por medo de desconto no salário: trabalhar doente pode piorar sua saúde e causar acidentes. Avalie com honestidade se você está em condições de trabalhar com segurança.
  • Não perguntar sobre os procedimentos internos da empresa: cada empresa tem suas próprias regras sobre comunicação de faltas, apresentação de atestados e descontos. Pergunte ao RH ou ao supervisor logo no início do contrato.

Orientação prática: checklist para quando precisar faltar

Se você acordar doente ou enfrentar uma emergência que impeça o trabalho, siga este roteiro:

  • Avise a empresa por telefone antes do início do turno, falando com o supervisor ou responsável direto
  • Explique brevemente o motivo da ausência (doença, emergência familiar) sem entrar em detalhes desnecessários
  • Se a empresa solicitar, vá ao médico e peça o atestado (shindansho ou ryōyōshō)
  • Guarde o comprovante de pagamento do atestado e uma cópia do documento
  • Comunique a empresa sobre o retorno ao trabalho assim que souber a data
  • Entregue o atestado à empresa no dia do retorno ou conforme o procedimento interno
  • Verifique no holerite do mês seguinte se o desconto no salário está correto
  • Se tiver dúvidas sobre o desconto ou sobre seus direitos, procure o setor de RH ou o suporte em português da agência que intermediou sua contratação

Agora que você entende como funcionam as regras de falta e atestado, pode ter mais segurança ao lidar com imprevistos de saúde no trabalho. Empresas que trabalham com brasileiros no Japão, como a DAIKOKU, oferecem suporte permanente em português para esclarecer dúvidas sobre direitos trabalhistas, procedimentos de ausência e comunicação com a empresa. Esse acompanhamento facilita sua adaptação ao sistema japonês e protege você em situações que exigem orientação clara. Falar com a DAIKOKU sobre suporte no trabalho.

Alternativas à falta: quando é possível negociar

Em algumas situações, você pode evitar a falta completa negociando alternativas com a empresa. Isso depende da natureza do trabalho, da flexibilidade da empresa e do tipo de ausência necessária.

Troca de turno

Se você precisa faltar para uma consulta médica de rotina ou resolver um problema pessoal que pode ser agendado, pergunte à empresa se é possível trocar de turno com um colega. Algumas empresas permitem esse tipo de ajuste desde que não prejudique a produção.

Meio período

Se você não está completamente incapaz de trabalhar, mas precisa de algumas horas para uma consulta ou exame, é possível pedir para trabalhar meio período. Você recebe proporcionalmente pelas horas trabalhadas e evita a falta completa no registro.

Uso de dias de férias

Se você tem dias de férias acumulados (yūkyū), pode solicitar o uso para cobrir uma ausência planejada. Dessa forma, o dia é remunerado normalmente e não conta como falta. No entanto, essa opção não é adequada para ausências de última hora ou emergências, já que férias geralmente precisam ser solicitadas com antecedência.

Conclusão

Entender como funciona o sistema de faltas e atestados no Japão ajuda você a tomar decisões mais seguras quando a saúde ou uma emergência exigir ausência do trabalho. Comunicar corretamente, apresentar documentação quando solicitado e conhecer seus direitos e deveres reduz o risco de problemas com a empresa e protege sua posição no emprego. Empresas que oferecem suporte em português facilitam esse processo e tornam o ambiente de trabalho mais acessível para brasileiros que ainda estão se adaptando ao sistema japonês.

Perguntas frequentes

Atestado médico no Japão garante pagamento do dia de falta?

Na maioria das empresas japonesas, não. O atestado médico (shindansho) justifica formalmente a ausência e protege você de consequências disciplinares, mas o valor correspondente ao dia ou às horas não trabalhadas costuma ser descontado do salário mensal. Algumas empresas oferecem dias de ausência remunerada por doença, mas isso varia conforme a política interna e deve ser confirmado no contrato de trabalho.

Como avisar a empresa que vou faltar por doença no Japão?

Você deve avisar a empresa por telefone antes do início do seu turno, falando diretamente com o supervisor ou responsável. Ligação é o método mais aceito e esperado no ambiente de trabalho japonês. Se sua empresa tem suporte em português, ligue para o responsável brasileiro. Caso contrário, use frases simples em japonês para explicar que está doente e não poderá trabalhar.

Quanto custa um atestado médico no Japão?

O custo do atestado médico (shindansho) varia conforme a clínica ou hospital, mas geralmente fica entre 2.000 e 5.000 ienes. Esse valor não é coberto pelo seguro de saúde japonês e deve ser pago diretamente por você. Algumas empresas aceitam um documento mais simples e barato, chamado ryōyōshō, que apenas comprova a consulta médica. Confirme com a empresa qual documento é necessário antes de solicitar ao médico.

Faltas frequentes podem afetar meu contrato de trabalho no Japão?

Sim. Mesmo que as faltas sejam justificadas por atestado médico, um histórico de ausências frequentes pode impactar negativamente a avaliação de desempenho e influenciar a decisão de renovação de contrato. Assiduidade é um critério importante no ambiente de trabalho japonês. Faltas não justificadas são tratadas com mais severidade e podem resultar em advertência ou até demissão por justa causa.

O que é kyūgyō e como é diferente de uma falta simples?

Kyūgyō é uma licença médica formal, usada quando a condição de saúde exige afastamento prolongado. Diferente de uma falta simples (byōketsu), o kyūgyō requer atestado médico detalhado indicando o período de repouso necessário e pode dar direito a um benefício parcial do seguro de saúde japonês (kenkō hoken). A licença deve ser comunicada formalmente à empresa e seguir procedimentos internos específicos.

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