Os primeiros dias no Japão podem ser intensos e confusos, especialmente quando você ainda está se acostumando com o idioma e com um sistema completamente diferente. Saber exatamente o que fazer nesse período inicial faz toda a diferença para organizar sua vida, evitar problemas burocráticos e começar com o pé direito. Este guia traz um checklist cronológico com as providências essenciais, do primeiro dia até o fim da primeira semana.
Resumo rápido: providências dos primeiros dias no Japão
- Fazer o registro na prefeitura (city hall) nos primeiros 14 dias após a chegada
- Solicitar o cartão de residente (residence card) no aeroporto ou na prefeitura
- Comprar um chip de celular ou contratar linha local
- Abrir conta bancária japonesa
- Providenciar itens básicos de moradia e alimentação
- Comparecer às orientações do empregador e conhecer o local de trabalho
- Aprender o trajeto casa-trabalho e testar o transporte público
Primeiro dia: aeroporto e chegada à moradia
Assim que você desembarcar no Japão, a primeira providência oficial acontece ainda no aeroporto. Se você entrou com visto de trabalho, o cartão de residente (zairyu card) pode ser emitido na imigração dos principais aeroportos, como Narita e Haneda. Esse cartão é obrigatório e funciona como seu documento de identificação no país. Caso o aeroporto não emita, você precisará solicitá-lo na prefeitura da sua cidade nos próximos dias.
Ao sair do aeroporto, concentre-se em chegar ao endereço da sua moradia com segurança. Se a empresa ou empreiteira ofereceu transporte, confirme o ponto de encontro com antecedência. Caso esteja indo por conta própria, tenha o endereço completo em japonês anotado ou salvo no celular. Muitos taxistas e funcionários de estação não falam inglês, então o endereço escrito ajuda bastante.
Ao chegar na moradia, faça uma inspeção básica. Confira se há futon ou cama, utensílios de cozinha, aquecedor ou ar-condicionado e itens de banho. Em algumas acomodações fornecidas por empreiteiras, esses itens já estão inclusos. Em outras, você precisará comprar ou alugar nos próximos dias.
Primeiras 48 horas: celular, alimentação e orientação local
Ter um número de celular japonês ativo nos primeiros dias é essencial. Sem ele, você não consegue fazer cadastros, receber mensagens de confirmação de bancos, apps de transporte ou empregadores. Existem três opções principais:
- Chip pré-pago de dados: Pode ser comprado no aeroporto ou em lojas de conveniência. Permite usar internet, mas não faz ou recebe ligações.
- Plano pós-pago com operadora: Exige residence card, conta bancária e, às vezes, comprovante de residência. Demora alguns dias para ativar.
- Plano pré-pago ou MVNO: Operadoras como Mobal, GTN Mobile e outras atendem estrangeiros com menos burocracia. Alguns aceitam cartão de crédito internacional e ativam rapidamente.
Enquanto isso, procure um supermercado ou loja de conveniência perto de casa. Nos primeiros dias, compre apenas o essencial: arroz, miojo, pão, água, frutas, ovos. As konbini (lojas 24h) vendem refeições prontas, que podem ser aquecidas no micro-ondas da própria loja. Guarde os recibos para controlar gastos nessa fase inicial.
Se houver alguém da empresa ou empreiteira responsável por te orientar, agende um encontro nos primeiros dois dias. Essa pessoa costuma explicar regras da moradia, transporte até o trabalho, horários, onde comprar coisas básicas e como funciona o pagamento.
Até o 14º dia: registro na prefeitura (jūminhyō)
A lei japonesa exige que você registre seu endereço na prefeitura da cidade onde mora em até 14 dias após a chegada. Esse registro é chamado de jūmin touroku e é obrigatório para quem pretende ficar por mais de 90 dias no país. Sem ele, você não consegue abrir conta em banco, contratar internet, alugar apartamento por conta própria ou obter o seguro saúde nacional.
Leve os seguintes documentos à prefeitura:
- Passaporte
- Cartão de residente (residence card)
- Comprovante de endereço (contrato de aluguel ou carta da empreiteira)
O atendimento costuma ser em japonês. Se você não fala o idioma, peça ajuda à empresa ou leve alguém que possa traduzir. Algumas prefeituras de cidades com muitos estrangeiros têm atendentes que falam inglês, português ou disponibilizam tablets de tradução.
Ao concluir o registro, você receberá o jūminhyō, um certificado de residência que será necessário em várias situações. Guarde bem esse documento.
Primeira semana: abertura de conta bancária
Abrir uma conta bancária japonesa é essencial porque a maioria dos empregadores paga o salário por transferência, e você precisará da conta para pagar contas de água, luz, gás e celular. Além disso, muitos serviços exigem débito automático em conta local.
Os bancos mais acessíveis para estrangeiros no início são o Japan Post Bank, bancos regionais e algumas agências do MUFG ou Resona que atendem trabalhadores estrangeiros. Normalmente, você precisará de:
- Residence card
- Certificado de registro de residência (jūminhyō) emitido pela prefeitura
- Número de celular japonês
- Carimbo pessoal (inkan/hanko) ou assinatura, dependendo do banco
Alguns bancos aceitam abrir conta no mesmo dia, outros agendam e enviam o cartão pelos correios em até duas semanas. Informe seu empregador assim que a conta estiver ativa para que ele possa cadastrar os dados de pagamento.
Se a empresa intermediar a abertura da conta, aproveite. Muitas empreiteiras têm parcerias com bancos e facilitam todo o processo.
Caso não consiga abrir conta nos primeiros dias
Se houver algum impedimento temporário, converse com a empresa. Algumas pagam a primeira quinzena em dinheiro ou depósito em conta de terceiros. Não deixe de insistir na abertura da conta, porque sem ela você terá dificuldades crescentes.
Primeiros dias no trabalho: orientações e integração
Nos primeiros dias, a empresa costuma realizar uma orientação inicial. Essa reunião pode incluir explicações sobre horários, uniforme, regras de segurança, pausas, refeitório, banheiros, vestiário e procedimentos internos. Mesmo que tudo seja em japonês, preste atenção nos gestos, nas demonstrações visuais e nos materiais impressos.
Pergunte tudo o que não entender. Não tenha vergonha de pedir para repetir ou mostrar novamente. É melhor esclarecer no início do que cometer erros depois por falta de informação.
Antes do primeiro dia de trabalho, faça o trajeto de teste. Saia de casa no horário que você sairá normalmente e veja quanto tempo leva, quais trens ou ônibus pegar, onde descer, por onde entrar na fábrica. Esse ensaio evita atrasos e ansiedade no primeiro dia real.
Compras essenciais da primeira semana
Nos primeiros dias, você vai precisar montar uma estrutura mínima de vida. A lista varia conforme o que a moradia já oferece, mas em geral inclui:
- Roupas de cama, travesseiro, cobertor (ou futon, caso não tenha)
- Produtos de higiene: sabonete, shampoo, papel higiênico, escova de dentes
- Utensílios de cozinha: panela, prato, copo, talher, faca
- Alimentos básicos: arroz, óleo, sal, miojo, pão, ovos
- Adaptador de tomada (se seus aparelhos não forem compatíveis com as tomadas japonesas de 100V)
- Mochila ou sacola para carregar marmita e objetos pessoais
As lojas de 100 ienes (Daiso, Seria, Can Do) vendem a maioria desses itens com excelente custo-benefício. Supermercados como Aeon, Gyomu Super e OK Store têm preços acessíveis. Evite comprar tudo de uma vez sem pensar. Compre conforme a necessidade real e vá ajustando.
Transporte: IC card e como usar trem e ônibus
O transporte público no Japão funciona com o IC card, um cartão recarregável que você passa nas catracas de trem, metrô e ônibus. Os principais são Suica (Tóquio), Pasmo (Tóquio), Icoca (Osaka) e Toica (Nagoya), mas todos funcionam em quase todo o país.
Você pode comprar o cartão nas máquinas automáticas das estações. Basta escolher a opção de IC card, inserir dinheiro (geralmente mil ienes, sendo 500 de depósito reembolsável e 500 de crédito) e retirar o cartão. A recarga é feita nas mesmas máquinas, com dinheiro em espécie.
Anote mentalmente ou no celular o nome das estações do seu trajeto. Trens no Japão são pontuais. Se o aplicativo diz que o trem sai às 7h43, ele sai às 7h43. Chegue com alguns minutos de antecedência.
Agora que você sabe o que precisa ser feito nos primeiros dias, o próximo passo é garantir que sua mudança seja acompanhada desde o início. A DAIKOKU oferece suporte completo para brasileiros descendentes que estão se preparando para trabalhar e morar no Japão, com orientação desde o processo de vaga até a chegada no país. Se você quer começar sua jornada com segurança e apoio em português, conheça as oportunidades disponíveis e fale com a equipe.
Erros comuns nos primeiros dias
Muitos brasileiros cometem os mesmos equívocos logo na chegada. Evitar esses erros poupa tempo, dinheiro e estresse:
- Adiar o registro na prefeitura: Isso atrasa tudo: conta bancária, seguro saúde, contratos. Vá nos primeiros dias úteis.
- Não ativar um celular rapidamente: Sem número japonês, você fica isolado e não consegue fazer cadastros.
- Gastar todo o dinheiro inicial com supérfluos: Nos primeiros dias, o foco deve ser no essencial. Deixe compras de eletrônicos e roupas para depois do primeiro pagamento.
- Não testar o trajeto antes do primeiro dia de trabalho: Chegar atrasado logo no início passa uma impressão ruim.
- Ignorar orientações da empresa por não entender o idioma: Peça ajuda, peça tradução, procure alguém que fale português. Não finja que entendeu.
- Não guardar comprovantes e recibos: Você vai precisar deles para conferências, devoluções ou até para entender seus próprios gastos.
Checklist completo: o que fazer na primeira semana
Para facilitar, aqui está uma lista prática que você pode seguir ou imprimir:
- Dia 1: Chegar à moradia, descansar, conhecer o entorno imediato
- Dia 2: Comprar chip de celular ou ativar linha local
- Dia 2-3: Fazer compras básicas de alimentação e higiene
- Dia 3-5: Ir à prefeitura registrar endereço e solicitar residence card (se ainda não tiver)
- Dia 4-6: Abrir conta bancária
- Dia 5-7: Participar de orientação da empresa, conhecer local de trabalho, testar trajeto
- Dia 7: Comprar ou providenciar itens de moradia que ainda faltam
Esse cronograma é uma referência. Dependendo do dia da semana que você chegou e do funcionamento da prefeitura e do banco, a ordem pode variar. O importante é não deixar nada para a última hora.
Primeiros dias com a família
Se você veio com cônjuge e filhos, as prioridades são as mesmas, mas com alguns pontos extras. Todos os membros da família precisam ser registrados na prefeitura. Crianças em idade escolar precisam ser matriculadas. Algumas empresas indicam escolas brasileiras ou japonesas, outras deixam a cargo da família.
Nos primeiros dias, foque no essencial: documentação, moradia, alimentação, comunicação. Deixe a matrícula escolar, passeios e compras maiores para a segunda semana, quando a rotina já estiver mais organizada.
Quando pedir ajuda
Se você trabalha com uma empreiteira ou empresa que oferece suporte em português, use esse recurso sem hesitar. Muitas possuem tsuyakus (intérpretes) ou brasileiros responsáveis por orientar os recém-chegados. Pergunte tudo: desde como usar o fogão até como separar o lixo. Não existe pergunta boba nessa fase.
Caso não tenha suporte direto, procure grupos de brasileiros na cidade, páginas de redes sociais, igrejas ou associações. A comunidade brasileira no Japão costuma ser solidária e muitas pessoas estão dispostas a ajudar quem acabou de chegar.
Conclusão
Os primeiros dias no Japão exigem organização, paciência e foco nas prioridades certas. Registrar-se na prefeitura, ativar um celular, abrir conta bancária e entender o básico do trabalho e do transporte são as fundações para tudo o que vem depois. Seguir esse checklist ajuda a evitar esquecimentos, atrasos burocráticos e o estresse de descobrir problemas tarde demais. Com as providências essenciais resolvidas, a adaptação flui com mais tranquilidade e você pode começar a construir sua rotina no país com segurança.