Documentos Necessários para Trabalhar no Japão pela Primeira Vez: Checklist Completo

Guia completo dos documentos necessários para trabalhar no Japão pela primeira vez, organizado por etapas cronológicas: o que providenciar no Brasil antes do embarque (passaporte, koseki, traduções, COE, visto), documentos obtidos no aeroporto (cartão de residente) e nas primeiras semanas (registro municipal, My Number, conta bancária). Inclui checklist prático, prazos, custos, documentos para dependentes e erros comuns que atrasam o processo.

DAIKOKU

julho 3, 2026
Jovem brasileiro nikkei organizando documentos de viagem e trabalho em mesa, com passaporte, papéis traduzidos e pastas, preparando-se para embarcar ao Japão pela primeira vez

Organizar a documentação para trabalhar no Japão pela primeira vez pode parecer complicado, mas seguir uma ordem cronológica clara torna o processo simples e previsível. Você precisa de documentos brasileiros antes do embarque (passaporte, koseki tohon traduzido, visto), documentos obtidos na chegada ao Japão (cartão de residente) e documentos providenciados nas primeiras semanas (My Number, conta bancária). Este guia apresenta cada documento na ordem real do processo, explicando o que é, onde obter, quanto tempo demora e por que é necessário.

Resumo rápido

  • No Brasil: passaporte, koseki tohon, traduções juramentadas, apostilamento, COE e visto de trabalho
  • No aeroporto japonês: obtenção do cartão de residente (zairyu card) e carimbo de entrada
  • Nos primeiros 14 dias: registro municipal, My Number e abertura de conta bancária
  • Documentos para dependentes seguem processo paralelo com certidões traduzidas e visto próprio
  • Cada etapa depende da anterior; organizar tudo com antecedência evita atrasos no embarque

Fase 1: Documentos a providenciar no Brasil antes do embarque

Passaporte brasileiro válido

O passaporte precisa ter validade de pelo menos seis meses além da data prevista de entrada no Japão. Solicite na Polícia Federal pelo site gov.br/pf, pague a taxa (valor consultável no portal) e agende o atendimento presencial. O prazo de emissão costuma variar entre 5 e 15 dias úteis, dependendo da demanda regional. Leve o passaporte antigo se tiver, pois pode conter carimbos úteis para comprovar histórico de viagens.

Koseki tohon: certidão de registro familiar japonês

O koseki tohon é o documento que comprova sua descendência japonesa e é a base para o visto de trabalho de descendentes. Cada descendente precisa do próprio koseki, que mostra a linha genealógica até o antepassado japonês. O documento é solicitado diretamente no consulado japonês da sua região ou por meio de um representante legal no Japão (familiar ou empresa contratante). O prazo de emissão no Japão costuma levar de 4 a 8 semanas, dependendo da cidade de registro.

O koseki vem em japonês e precisa ser traduzido por tradutor juramentado no Brasil. Guarde o documento original em local seguro: você vai precisar dele em várias etapas no Japão.

Traduções juramentadas e apostilamento

Alguns documentos brasileiros precisam de tradução juramentada (feita por tradutor público certificado pela Junta Comercial do seu estado) e apostilamento (selo que valida o documento para uso internacional, conforme a Convenção de Haia). Os documentos que costumam exigir esse tratamento incluem:

  • Certidão de nascimento (sua e dos dependentes)
  • Certidão de casamento (se aplicável)
  • Diploma ou histórico escolar (se o empregador solicitar)
  • Antecedentes criminais (algumas empresas pedem)

A tradução juramentada custa entre R$ 80 e R$ 150 por página, dependendo do idioma e do estado. O apostilamento é feito em cartório autorizado e custa cerca de R$ 50 a R$ 100 por documento. Organize essas etapas com pelo menos 30 dias de antecedência, pois o tempo de tradução varia conforme a demanda do tradutor.

Nem todos os documentos precisam de apostilamento: confirme com a empresa contratante ou com a agência que está intermediando sua ida quais são obrigatórios no seu caso.

COE: Certificado de Elegibilidade

O Certificate of Eligibility (COE) é o documento que autoriza sua entrada no Japão para trabalhar. Ele é solicitado no Japão pela empresa contratante ou pela empreiteira junto à Imigração japonesa. Você não solicita o COE sozinho: quem patrocina sua ida é quem faz o pedido.

O prazo de emissão do COE costuma variar entre 1 e 3 meses, dependendo do tipo de visto e da carga de trabalho da Imigração. Quando o COE for aprovado, a empresa envia o documento original para você no Brasil. Guarde-o com cuidado: você vai apresentá-lo no consulado para tirar o visto e novamente no aeroporto ao chegar no Japão.

Visto de trabalho no passaporte

Com o COE em mãos, você solicita o visto de trabalho no consulado japonês da sua jurisdição. Leve os seguintes documentos:

  • Passaporte válido
  • COE original
  • Formulário de solicitação de visto preenchido (disponível no site do consulado)
  • Foto 4,5 x 4,5 cm recente, fundo branco
  • Koseki tohon original e tradução juramentada
  • Certidões traduzidas e apostiladas, se solicitadas

O prazo de emissão do visto costuma ser de 3 a 5 dias úteis. O visto é colado no passaporte e tem validade de 3 meses a partir da emissão para entrada no Japão. Planeje o embarque dentro desse período. Não há taxa consular para visto de trabalho de descendentes, mas confirme no site do consulado, pois regras podem mudar.

Fase 2: Documentos obtidos no aeroporto ao chegar no Japão

Cartão de residente (Zairyu Card)

O Zairyu Card é a identidade oficial de estrangeiro residente no Japão. Ele é emitido no próprio aeroporto de entrada (Narita, Haneda, Kansai ou Chubu) logo após a inspeção de imigração. O oficial de imigração verifica seu passaporte, visto e COE, faz algumas perguntas sobre o motivo da estadia e o empregador, tira sua foto e coleta suas impressões digitais.

O cartão é impresso na hora e entregue antes de você sair da área de imigração. Ele contém seu nome, nacionalidade, data de nascimento, tipo de visto, período de estadia autorizado e endereço no Japão (que você informou no COE). Guarde o Zairyu Card sempre com você: é o documento que você vai apresentar em bancos, lojas, registro municipal e em qualquer situação que exija identificação.

Se você entrar por um aeroporto menor que não emite o cartão na hora, ele será enviado pelo correio para o endereço registrado no Japão em até 2 semanas.

Fase 3: Documentos a providenciar nas primeiras semanas no Japão

Registro municipal (Jumin Toroku)

Dentro de 14 dias após a chegada, você deve registrar seu endereço no city hall (shiyakusho ou kuyakusho) da cidade onde vai morar. Leve o Zairyu Card e o passaporte. O atendente vai atualizar o endereço no sistema e no verso do cartão de residente.

Esse registro é obrigatório e necessário para as próximas etapas: sem ele, você não consegue solicitar o My Number nem abrir conta bancária. O atendimento costuma ser rápido, entre 15 e 30 minutos, e gratuito.

My Number (Número Individual)

O My Number é o número de identificação único usado em todo o Japão para impostos, previdência, seguro saúde e outros serviços públicos. Ele é solicitado automaticamente quando você faz o registro municipal. O cartão de notificação do My Number (papel) chega pelo correio no endereço registrado em 2 a 4 semanas.

Você pode solicitar o My Number Card (cartão plástico com foto e chip) logo após receber a notificação. O cartão físico facilita procedimentos online e é útil para abrir conta bancária e assinar contratos. A emissão é gratuita e leva cerca de 1 mês.

Guarde o número com cuidado: você vai usar em declaração de imposto de renda, cadastro de emprego, matrícula escolar dos filhos e abertura de conta bancária.

Abertura de conta bancária

Para receber o salário, você precisa de conta bancária japonesa. Bancos que costumam aceitar estrangeiros recém-chegados incluem Japan Post Bank, Resona Bank, MUFG Bank e bancos regionais. Leve os seguintes documentos:

  • Zairyu Card
  • Passaporte
  • My Number (papel ou cartão)
  • Inkan (carimbo pessoal japonês, que você compra em lojas de papelaria por cerca de 500 a 1.000 ienes)
  • Comprovante de endereço (conta de luz, água ou gás, ou o papel do registro municipal)
  • Telefone celular japonês (alguns bancos exigem)

O processo de abertura leva entre 30 minutos e 1 hora. Alguns bancos pedem agendamento prévio. O cartão e a senha chegam pelo correio em 1 a 2 semanas. Enquanto isso, você recebe um número de conta provisório para informar ao empregador.

Documentos adicionais para quem leva cônjuge ou filhos

Cônjuge

Se você for casado e seu cônjuge for junto, ele precisa de visto próprio. O tipo de visto depende da situação: se o cônjuge também for descendente e for trabalhar, ele solicita visto de trabalho com COE próprio e documentação completa. Se for acompanhante, o visto é de dependente, que permite trabalhar em meio período (até 28 horas semanais) com autorização da Imigração.

Documentos necessários para visto de cônjuge:

  • Passaporte válido
  • Certidão de casamento traduzida e apostilada
  • COE (se for trabalhar) ou comprovante de vínculo com o titular (se for dependente)
  • Formulário de visto preenchido
  • Foto 4,5 x 4,5 cm

Filhos

Filhos menores de 18 anos viajam com visto de dependente. Cada criança precisa de:

  • Passaporte próprio
  • Certidão de nascimento traduzida e apostilada
  • Formulário de visto preenchido (assinado pelos pais)
  • Foto 4,5 x 4,5 cm
  • Comprovante de vínculo com os pais (certidão de nascimento já cumpre esse papel)

Ao chegar no Japão, os dependentes também recebem Zairyu Card no aeroporto e precisam ser registrados no city hall junto com o titular. Escolas brasileiras no Japão costumam pedir histórico escolar traduzido e certificado de vacinação atualizado.

Documentos opcionais mas recomendados

Alguns documentos não são obrigatórios para o visto, mas facilitam a vida no Japão e vale a pena providenciar antes do embarque:

  • Carteira de motorista internacional (PID): válida por 1 ano no Japão, permite dirigir enquanto você tira a habilitação japonesa. Solicite no Detran do seu estado.
  • Cartão de vacinação atualizado: útil para matrícula escolar e atendimento médico. Traduza as vacinas principais para o inglês ou japonês.
  • Histórico médico traduzido: se você ou dependentes fazem tratamento contínuo, leve receitas e relatórios médicos traduzidos para facilitar a continuidade do acompanhamento.
  • Fotos 3×4 extras: úteis para cadastros diversos nos primeiros meses.
  • Cópias digitalizadas de todos os documentos: salve em nuvem (Google Drive, Dropbox) e leve pen drive de backup. Se perder algum original, a cópia facilita a segunda via.

Erros comuns que atrasam o processo

Pequenos deslizes na documentação podem atrasar o embarque em semanas ou até meses. Os erros mais frequentes incluem:

  • Passaporte com menos de 6 meses de validade: mesmo que o visto seja aprovado, companhias aéreas podem negar o embarque. Renove com antecedência.
  • Tradução não juramentada: traduções feitas por profissional sem certificação não são aceitas pelos consulados. Confirme que o tradutor é registrado na Junta Comercial.
  • Documentos sem apostilamento quando exigido: certidões sem o selo de Haia podem ser recusadas. Pergunte ao empregador quais documentos precisam de apostilamento.
  • Informações inconsistentes entre documentos: nome grafado de forma diferente em certidões e passaporte gera desconfiança e pode levar à recusa do visto. Corrija divergências antes de iniciar o processo.
  • Não guardar documentos originais: cópias não substituem originais em inspeções de imigração. Leve tudo em pasta organizada, separado da bagagem despachada.
  • Atraso no registro municipal: perder o prazo de 14 dias gera multa e complica a solicitação do My Number. Priorize essa etapa na primeira semana.
  • Tentar abrir conta sem My Number: a maioria dos bancos exige o número. Aguarde a notificação chegar antes de ir ao banco.

Timeline realista do processo completo

Contar o tempo total ajuda a planejar o embarque com segurança. A sequência típica, somando todas as etapas, costuma levar entre 3 e 5 meses do início da documentação até o embarque:

  • Passaporte: 5 a 15 dias úteis
  • Koseki tohon: 4 a 8 semanas (solicitado no Japão)
  • Traduções e apostilamento: 2 a 4 semanas
  • COE: 1 a 3 meses (solicitado pelo empregador)
  • Visto: 3 a 5 dias úteis após receber o COE
  • Embarque: dentro de 3 meses após a emissão do visto

No Japão, as etapas são mais rápidas:

  • Zairyu Card: emitido na hora no aeroporto
  • Registro municipal: no mesmo dia, em até 30 minutos
  • My Number: notificação em 2 a 4 semanas; cartão físico em 1 mês
  • Conta bancária: cartão em 1 a 2 semanas após a abertura

Organizando a documentação na prática

Manter tudo organizado desde o início evita estresse e retrabalho. Use uma pasta física com divisórias para separar documentos por etapa: Brasil (originais e traduções), Consulado (visto), Japão (registro e banco). Dentro de cada divisória, guarde originais e cópias juntas, sempre na mesma ordem.

Digitalize todos os documentos e salve em nuvem. Crie pastas nomeadas de forma clara (exemplo: 01_Passaporte, 02_Koseki, 03_Traducoes, 04_COE, 05_Visto) e inclua a data de emissão no nome do arquivo. Leve pen drive de backup com tudo.

No Japão, continue o mesmo sistema: guarde Zairyu Card, My Number, contrato de trabalho, contrato de aluguel e documentos bancários em uma pasta à parte, sempre à mão. Nunca despache documentos originais na bagagem de porão.

Agora que você sabe quais documentos precisa providenciar, o próximo passo é entender como cada etapa funciona na prática e contar com orientação que evita atrasos e retrabalho. A DAIKOKU acompanha cada candidato na organização de toda a documentação necessária para trabalhar no Japão, desde a solicitação do koseki até a emissão do visto, cobrindo traduções juramentadas, apostilamento e tramitação do COE junto ao empregador. O suporte começa no Brasil e continua no Japão, garantindo que você tenha tudo em ordem antes do embarque e saiba exatamente o que fazer ao chegar. Falar com a DAIKOKU sobre o processo completo de documentação.

Diferenças entre tipos de visto e impacto na documentação

O processo descrito neste guia se aplica principalmente ao visto de trabalho para descendentes de japoneses, o mais comum entre brasileiros que vão ao Japão pela primeira vez via empresa ou empreiteira. Outros tipos de visto exigem documentação diferente:

  • Visto de trabalho qualificado (Engineer/Specialist in Humanities): exige diploma universitário relacionado à função, contrato direto com empresa japonesa, comprovação de conhecimento técnico e, em muitos casos, nível intermediário de japonês. Não é o caminho mais usado por brasileiros que vão trabalhar em fábrica.
  • Visto de estudante com permissão de trabalho: exige matrícula em escola de idiomas ou universidade japonesa, comprovação financeira e permite apenas 28 horas de trabalho por semana. Voltado para quem prioriza estudar.
  • Working Holiday: programa de intercâmbio para jovens de 18 a 30 anos, com cotas anuais limitadas e exigência de recursos financeiros próprios. Não é uma via de imigração permanente.

Se você é descendente até a terceira geração ou cônjuge de descendente, o visto de trabalho tradicional é o caminho mais direto, com menos exigências acadêmicas e de idioma, permitindo trabalho em tempo integral desde o início.

Conclusão

Organizar a documentação para trabalhar no Japão pela primeira vez é um processo linear: cada etapa depende da anterior, e seguir a ordem cronológica evita atrasos e retrabalho. No Brasil, você providencia passaporte, koseki, traduções, COE e visto. No aeroporto japonês, recebe o Zairyu Card. Nas primeiras semanas, faz registro municipal, solicita o My Number e abre conta bancária. Documentos para dependentes seguem processo paralelo. Manter tudo organizado, guardar originais com cuidado e confirmar prazos com antecedência garante que você embarque preparado e comece a trabalhar sem surpresas.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para juntar todos os documentos para trabalhar no Japão?

O processo completo costuma levar entre 3 e 5 meses, somando a emissão do passaporte (5 a 15 dias), obtenção do koseki no Japão (4 a 8 semanas), traduções e apostilamento (2 a 4 semanas), aprovação do COE pelo empregador (1 a 3 meses) e emissão do visto no consulado (3 a 5 dias úteis). Organize tudo com antecedência para não perder o prazo de validade do visto, que é de 3 meses após a emissão.

O que é o koseki tohon e por que ele é necessário?

O koseki tohon é o registro familiar japonês que comprova sua descendência. Ele mostra a linha genealógica até o antepassado japonês e é obrigatório para solicitar o visto de trabalho de descendente. O documento é emitido no Japão e precisa ser traduzido por tradutor juramentado no Brasil. Cada descendente precisa do próprio koseki, e o prazo de emissão costuma levar de 4 a 8 semanas.

Preciso apostilar todos os documentos brasileiros?

Não necessariamente. O apostilamento (selo de Haia que valida documentos para uso internacional) costuma ser exigido para certidões de nascimento, casamento e, em alguns casos, diploma ou antecedentes criminais. Confirme com a empresa contratante ou a agência que está intermediando sua ida quais documentos precisam de apostilamento no seu caso específico, pois a exigência pode variar.

O que é o My Number e quando eu recebo?

O My Number é o número de identificação único usado no Japão para impostos, previdência, seguro saúde e outros serviços públicos. Ele é solicitado automaticamente quando você faz o registro municipal (dentro de 14 dias após a chegada). A notificação do número chega pelo correio em 2 a 4 semanas. Você pode solicitar o cartão físico com foto depois, que leva cerca de 1 mês para ser emitido.

Consigo abrir conta bancária no Japão assim que chegar?

Não imediatamente. Para abrir conta, você precisa do Zairyu Card (obtido no aeroporto), registro municipal (feito nos primeiros 14 dias) e, na maioria dos bancos, do My Number, que chega pelo correio em 2 a 4 semanas. Alguns bancos também exigem telefone celular japonês e inkan (carimbo pessoal). Organize essas etapas na ordem certa e planeje abrir a conta cerca de 3 a 4 semanas após a chegada.

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