Como funciona o Setsubun no Japão para quem mora no país

O Setsubun é celebrado todo 3 de fevereiro no Japão e marca a véspera da primavera no calendário lunar. O festival combina o mamemaki, ritual de jogar grãos de soja para afastar espíritos ruins, e o ehomaki, rolinho de sushi comido em silêncio voltado para a direção da sorte do ano. Para brasileiros que moram no Japão, participar do Setsubun é uma forma acessível de integração cultural, especialmente para famílias com crianças em escolas japonesas.

DAIKOKU

agosto 10, 2026
Família nikkei brasileira com pais e duas crianças celebrando o Setsubun em apartamento japonês, jogando grãos de soja torrados durante o mamemaki

O Setsubun é um dos festivais mais acessíveis e divertidos para quem mora no Japão, especialmente para famílias com crianças. Celebrado no dia 3 de fevereiro, marca a véspera do início da primavera segundo o calendário lunar antigo e combina rituais de purificação, tradições alimentares e muita diversão em casa e nos santuários. Para brasileiros que vivem no país, participar do Setsubun é uma forma concreta de se conectar com a cultura local, envolver os filhos em tradições que eles vivenciam na escola e se sentir parte da comunidade onde moram.

Resumo rápido

  • O Setsubun acontece todo dia 3 de fevereiro e marca a véspera do início da primavera no calendário lunar japonês
  • O mamemaki é o ritual central: jogar grãos de soja torrados para afastar espíritos ruins e atrair boa sorte
  • O ehomaki é um rolinho de sushi especial que se come inteiro, em silêncio, voltado para a direção da sorte do ano
  • Supermercados japoneses começam a vender fukumame, ehomaki e máscaras de Oni dias antes da data
  • Crianças participam do Setsubun na escola, então celebrar em casa reforça a experiência e a integração cultural
  • Santuários e templos locais costumam realizar eventos públicos de mamemaki com celebridades e distribuição de grãos

O que é o Setsubun e por que ele importa para quem mora no Japão

O Setsubun marca a transição entre as estações, especificamente a véspera do Risshun, o início da primavera no calendário lunar tradicional. Historicamente, esse momento era considerado vulnerável à entrada de energias negativas, então as famílias realizavam rituais de purificação para proteger a casa e garantir saúde e prosperidade no ano que começava. Embora o Japão use o calendário gregoriano oficialmente, o Setsubun permanece como uma tradição cultural viva, celebrada em lares, escolas e templos por todo o país.

Para brasileiros que moram no Japão, o Setsubun oferece uma oportunidade única de participação. Diferente de festivais maiores como o Obon ou o Ano Novo, que podem parecer mais distantes ou exigir viagens, o Setsubun acontece dentro de casa, com rituais simples, baratos e divertidos. Se você tem filhos em escola japonesa, eles muito provavelmente farão mamemaki na sala de aula, então celebrar em casa conecta a experiência escolar com a vida familiar e mostra que você respeita e valoriza a cultura do país onde vive.

Mamemaki: o ritual de jogar grãos de soja

O mamemaki é o coração do Setsubun. Consiste em jogar grãos de soja torrados pela casa enquanto se grita ‘Oni wa soto! Fuku wa uchi!’ (Demônios para fora! Sorte para dentro!). Tradicionalmente, uma pessoa da família se veste de Oni, o demônio do folclore japonês, e as outras jogam os grãos para ‘expulsá-lo’. Depois que o Oni é afastado, todos comem um número de grãos de soja correspondente à própria idade, mais um, para garantir saúde durante o ano.

Em apartamentos pequenos, que são comuns para brasileiros morando no Japão, o mamemaki precisa de adaptação. Você não precisa jogar grãos pela casa inteira. Muitas famílias fazem o ritual concentrado em um cômodo, geralmente a sala, e recolhem os grãos logo depois. Algumas usam grãos ainda na embalagem individual, vendidos prontos para o Setsubun, que facilitam a limpeza. A máscara de Oni pode ser comprada pronta em lojas de ¥100 ou feita em casa com papel, o que torna a atividade ainda mais envolvente para crianças.

O importante é a intenção simbólica: afastar o que é negativo e dar boas-vindas ao que é positivo. Se você tem filhos pequenos, eles provavelmente vão achar a brincadeira hilária, especialmente se um dos pais aceitar ser o Oni. A tradição vira um momento lúdico e memorável, que ajuda a família a se sentir conectada ao ritmo cultural do Japão.

Ehomaki: o rolinho de sushi da sorte

O ehomaki é um makizushi especial, tradicionalmente recheado com sete ingredientes que representam os sete deuses da sorte. A tradição, que se popularizou nacionalmente a partir de Osaka, pede que você coma o rolinho inteiro, sem cortá-lo, em silêncio e voltado para a direção da sorte do ano (eho). A direção muda anualmente e é determinada pelo calendário zodiacal chinês. Em geral, você descobre qual é a direção do ano em cartazes nos supermercados, sites de notícias japoneses ou perguntando a vizinhos e colegas.

Para quem mora no Japão, o ehomaki é extremamente fácil de encontrar. Supermercados como Aeon, Ito-Yokado, Life e Seiyu começam a vender ehomaki pronto dias antes do Setsubun, geralmente a partir do fim de janeiro. Você encontra opções prontas na seção de sushi refrigerado, com preços que variam conforme o tamanho e os ingredientes. Lojas de conveniência como 7-Eleven, Lawson e FamilyMart também vendem versões próprias, muitas vezes com reserva antecipada.

Se preferir fazer em casa, os ingredientes tradicionais incluem kanpyo (cabaça seca), shiitake, tamagoyaki (omelete japonesa), pepino, unagi (enguia), denbu (peixe desfiado adocicado) e sakura denbu. Mas não há problema em adaptar com o que você tem ou gosta. O importante é montar um makizushi grosso e comê-lo sem cortar, voltado para a direção da sorte, fazendo um pedido mental enquanto come em silêncio.

Para crianças brasileiras, comer um rolinho inteiro sem falar pode parecer estranho no começo, mas vira uma brincadeira divertida, especialmente se você explicar que é como fazer um pedido de aniversário, mas com sushi em vez de bolo. Você pode conectar com a ideia de ‘comer algo especial para dar sorte’, que existe em várias culturas, inclusive no Brasil com as lentilhas do Ano Novo.

O que comprar no supermercado japonês durante o Setsubun

Os supermercados japoneses ficam visivelmente diferentes nas semanas que antecedem o Setsubun. Você vai encontrar displays temáticos na entrada ou perto da seção de confeitaria e produtos sazonais. Os principais itens que aparecem são:

  • Fukumame: pacotes de grãos de soja torrados, vendidos em embalagens pequenas prontas para jogar ou em pacotes maiores para distribuir em casa. Alguns vêm em saquinhos individuais, que facilitam a limpeza depois do mamemaki.
  • Ehomaki: rolinhos de sushi prontos, geralmente com etiquetas indicando a direção da sorte do ano. Chegam frescos na manhã do dia 3 de fevereiro e costumam esgotar rápido à noite, então quem quer garantir deve comprar cedo ou reservar com antecedência.
  • Máscaras de Oni: máscaras de papel ou plástico do demônio japonês, vendidas em lojas de ¥100 como Daiso, Seria e Can Do, e às vezes em displays dos próprios supermercados.
  • Doces e decorações temáticas: alguns supermercados vendem kits de decoração com ilustrações de Oni e soja, além de doces em formato de grãos de soja.

Se você mora em uma cidade menor ou em área rural, o volume de produtos pode ser menor, mas todo supermercado minimamente estruturado terá fukumame e ehomaki na semana do Setsubun. A presença desses itens nas prateleiras é um sinal claro de que a data está próxima e de que vale a pena participar.

Como envolver crianças brasileiras na tradição

Crianças que estudam em escolas japonesas geralmente participam do mamemaki na escola, onde fazem máscaras de Oni, jogam grãos de soja e aprendem sobre o significado da tradição. Para pais brasileiros, reforçar a experiência em casa ajuda a criança a se sentir mais integrada culturalmente e a valorizar o que aprende na escola.

Uma forma eficaz de envolver crianças brasileiras é explicar o Setsubun usando referências que elas já conhecem. Você pode comparar o ritual de afastar espíritos ruins com a ideia de ‘renovar as energias’ do Ano Novo no Brasil, ou com a prática de pular sete ondas na praia. O Oni pode ser apresentado como um personagem de fantasia, parecido com os monstros de desenhos animados, mas que no Japão representa coisas ruins que a gente quer mandar embora.

Deixar a criança participar ativamente aumenta o engajamento. Ela pode ajudar a fazer uma máscara de Oni em casa usando papel, canetinhas e elástico. Pode contar os grãos de soja que vai comer, aprendendo a associar a própria idade com a tradição. Pode escolher o sabor do ehomaki no supermercado ou ajudar a montar um em casa. E, claro, pode ser a pessoa que joga os grãos, gritando ‘Oni wa soto!’ com toda a energia.

Quando a família toda participa, o Setsubun deixa de ser uma curiosidade distante e vira uma memória afetiva concreta, que reforça o sentimento de pertencimento ao Japão e à comunidade local.

Eventos de Setsubun em santuários e templos

Além da celebração em casa, muitos santuários e templos japoneses realizam eventos públicos de mamemaki no dia 3 de fevereiro. Esses eventos costumam contar com a presença de celebridades locais, lutadores de sumô, atores e personalidades que jogam grãos de soja torrados e outros itens de sorte para a multidão. Participar de um desses eventos é uma experiência cultural rica, especialmente para quem tem filhos e quer mostrar a tradição em escala maior.

Para encontrar eventos de Setsubun na sua cidade, você pode pesquisar no site da prefeitura local, perguntar a colegas de trabalho ou vizinhos, ou procurar cartazes em santuários próximos nas semanas anteriores à data. Cidades maiores como Tóquio, Osaka, Kyoto e Nagoya têm eventos conhecidos em templos tradicionais, mas até cidades médias e pequenas costumam realizar celebrações locais.

Durante o evento, as pessoas se posicionam em frente ao palco do templo e tentam pegar os grãos de soja e outros itens que são jogados. Pegar um grão é considerado sorte. Alguns templos distribuem fukumame em saquinhos depois do evento. A atmosfera é festiva, barulhenta e cheia de famílias, então é um bom momento para se sentir parte da comunidade.

Se você mora em uma região com presença significativa de brasileiros, como Shizuoka, Aichi ou Gunma, é provável que outros brasileiros também estejam participando, o que pode tornar a experiência ainda mais acolhedora. Famílias que vivem no Japão com apoio da DAIKOKU costumam estar concentradas em regiões com comunidade brasileira consolidada, onde eventos culturais japoneses como o Setsubun são acessíveis e bem divulgados localmente.

Erros comuns ao celebrar o Setsubun pela primeira vez

Quem celebra o Setsubun pela primeira vez pode cometer alguns deslizes que, embora pequenos, tiram um pouco da experiência. Um erro comum é comprar ehomaki no fim do dia 3 de fevereiro. Como o rolinho é preparado fresco e a demanda é alta, os supermercados costumam esgotar o estoque no início da noite. Se você quer garantir, compre pela manhã ou reserve com antecedência.

Outro erro é jogar grãos de soja pela casa inteira sem pensar na limpeza depois. Em apartamentos com tatame ou carpete, recolher dezenas de grãos espalhados pode ser trabalhoso. Use uma área delimitada, como a sala, e considere usar os pacotinhos individuais de soja que vêm prontos para o mamemaki, que facilitam muito a arrumação.

Algumas pessoas também esquecem de comer os grãos de soja depois do ritual. A tradição pede que cada pessoa coma um número de grãos correspondente à própria idade, mais um, para ter saúde no ano. Pular essa parte é perder uma camada simbólica importante da celebração.

Por fim, muitos brasileiros deixam de perguntar a direção da sorte do ano antes de comer o ehomaki. A direção muda todo ano e é parte central da tradição. Você pode descobrir facilmente perguntando a colegas japoneses, checando cartazes no supermercado ou pesquisando ‘ehomaki direção 2026’ (ou o ano correspondente) em japonês ou português.

Como o Setsubun se conecta com a vida de quem mora no Japão

Participar de tradições locais como o Setsubun não é apenas uma questão de curiosidade cultural; é uma forma concreta de integração e respeito ao país onde você vive. Quando você celebra o Setsubun em casa, está mostrando aos seus filhos que a cultura japonesa tem valor e merece ser vivida, não apenas observada de fora. Está construindo memórias que conectam a família ao Japão de forma afetiva, não apenas funcional.

Para crianças brasileiras que crescem no Japão, essas experiências fazem diferença na formação de identidade. Elas aprendem que é possível ser brasileiro e participar da cultura japonesa ao mesmo tempo, sem precisar escolher um ou outro. E para os pais, celebrar o Setsubun é uma forma de se sentir menos estrangeiro, de participar do ritmo coletivo do país e de construir pontes com vizinhos, colegas e a comunidade escolar dos filhos.

O Setsubun também é uma tradição prática e acessível. Não exige viagem, não custa caro, não depende de fluência em japonês e pode ser adaptado para qualquer tipo de moradia. É uma das portas de entrada mais simples para quem quer começar a viver as tradições japonesas de dentro, como morador, não como turista.

Se você mora no Japão com a família e quer que as tradições locais façam parte da rotina dos seus filhos, participar de celebrações como o Setsubun é um passo importante na integração cultural. A DAIKOKU conecta famílias brasileiras a vagas em empresas japonesas e oferece indicação de escolas com currículo reconhecido pelo MEC em regiões como Shizuoka, onde a comunidade brasileira é consolidada e tradições como o Setsubun são vividas naturalmente por crianças e pais. Ver as vagas para famílias no Japão.

Variações regionais e outras práticas do Setsubun

Embora o mamemaki e o ehomaki sejam as práticas mais difundidas, algumas regiões do Japão têm variações locais do Setsubun. Em certas áreas de Kyushu, por exemplo, é tradicional usar amendoim em vez de grãos de soja. Em algumas partes de Hokkaido, as famílias comem um doce especial feito de mochi. Essas variações regionais são menos conhecidas fora das localidades onde acontecem, mas mostram que o Setsubun, como muitas tradições japonesas, tem flexibilidade e se adapta ao contexto local.

Outra prática menos comum, mas ainda existente, é pendurar a cabeça de uma sardinha grelhada e um galho de azevinho na entrada da casa, acreditando que o cheiro afasta espíritos malignos. Essa tradição é mais rara em áreas urbanas, mas ainda pode ser vista em casas tradicionais no interior.

Para brasileiros que moram no Japão, conhecer essas variações pode ser interessante, especialmente se você vive em uma região com tradições locais fortes. Vale perguntar a vizinhos e colegas como o Setsubun é celebrado na sua área, o que pode render conversas ricas e aproximar ainda mais você da comunidade.

Conclusão

O Setsubun é uma das tradições japonesas mais acessíveis e gratificantes para quem mora no Japão. Combina ritual, comida, diversão e um simbolismo simples e universal: afastar o ruim, atrair o bom. Para famílias brasileiras, celebrar o Setsubun em casa fortalece a integração cultural, envolve as crianças de forma lúdica e cria memórias afetivas ligadas ao país onde vivem. Com poucos itens comprados no supermercado, uma dose de criatividade e disposição para participar, você transforma o 3 de fevereiro em um dia especial, que conecta sua família ao ritmo cultural do Japão de forma real e significativa.

Perguntas frequentes

O que é o mamemaki do Setsubun?

O mamemaki é o ritual de jogar grãos de soja torrados pela casa enquanto se grita ‘Oni wa soto! Fuku wa uchi!’ (Demônios para fora! Sorte para dentro!). Tradicionalmente, alguém se veste de Oni e os outros jogam os grãos para afastá-lo. Depois, cada pessoa come um número de grãos correspondente à própria idade, mais um, para garantir saúde no ano.

Onde comprar os itens do Setsubun no Japão?

Supermercados como Aeon, Ito-Yokado, Life e Seiyu vendem fukumame (grãos de soja torrados) e ehomaki (rolinho de sushi) nos dias que antecedem o 3 de fevereiro. Lojas de conveniência como 7-Eleven, Lawson e FamilyMart também oferecem ehomaki, muitas vezes com reserva antecipada. Máscaras de Oni são vendidas em lojas de ¥100 como Daiso e Seria.

Como descobrir a direção da sorte do ano para comer o ehomaki?

A direção da sorte (eho) muda todo ano conforme o calendário zodiacal chinês. Você descobre a direção do ano em cartazes dos supermercados, sites de notícias japoneses, perguntando a colegas ou pesquisando online. A informação costuma estar visível nos displays de ehomaki nas lojas.

Posso celebrar o Setsubun em apartamento pequeno?

Sim. Você pode concentrar o mamemaki em um único cômodo, como a sala, e recolher os grãos logo depois. Muitas famílias usam grãos de soja em embalagens individuais, que facilitam a limpeza. O importante é a intenção simbólica, não o tamanho do espaço.

Crianças brasileiras participam do Setsubun na escola japonesa?

Sim. A maioria das escolas japonesas realiza atividades de Setsubun, como fazer máscaras de Oni e praticar o mamemaki. Celebrar em casa reforça a experiência escolar, ajuda a criança a se sentir integrada culturalmente e mostra que a família valoriza as tradições do país onde vive.

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