Organizar a documentação para trabalhar no Japão pela primeira vez pode parecer complicado, mas seguir uma ordem cronológica clara torna o processo simples e previsível. Você precisa de documentos brasileiros antes do embarque (passaporte, koseki tohon traduzido, visto), documentos obtidos na chegada ao Japão (cartão de residente) e documentos providenciados nas primeiras semanas (My Number, conta bancária). Este guia apresenta cada documento na ordem real do processo, explicando o que é, onde obter, quanto tempo demora e por que é necessário.
Resumo rápido
- No Brasil: passaporte, koseki tohon, traduções juramentadas, apostilamento, COE e visto de trabalho
- No aeroporto japonês: obtenção do cartão de residente (zairyu card) e carimbo de entrada
- Nos primeiros 14 dias: registro municipal, My Number e abertura de conta bancária
- Documentos para dependentes seguem processo paralelo com certidões traduzidas e visto próprio
- Cada etapa depende da anterior; organizar tudo com antecedência evita atrasos no embarque
Fase 1: Documentos a providenciar no Brasil antes do embarque
Passaporte brasileiro válido
O passaporte precisa ter validade de pelo menos seis meses além da data prevista de entrada no Japão. Solicite na Polícia Federal pelo site gov.br/pf, pague a taxa (valor consultável no portal) e agende o atendimento presencial. O prazo de emissão costuma variar entre 5 e 15 dias úteis, dependendo da demanda regional. Leve o passaporte antigo se tiver, pois pode conter carimbos úteis para comprovar histórico de viagens.
Koseki tohon: certidão de registro familiar japonês
O koseki tohon é o documento que comprova sua descendência japonesa e é a base para o visto de trabalho de descendentes. Cada descendente precisa do próprio koseki, que mostra a linha genealógica até o antepassado japonês. O documento é solicitado diretamente no consulado japonês da sua região ou por meio de um representante legal no Japão (familiar ou empresa contratante). O prazo de emissão no Japão costuma levar de 4 a 8 semanas, dependendo da cidade de registro.
O koseki vem em japonês e precisa ser traduzido por tradutor juramentado no Brasil. Guarde o documento original em local seguro: você vai precisar dele em várias etapas no Japão.
Traduções juramentadas e apostilamento
Alguns documentos brasileiros precisam de tradução juramentada (feita por tradutor público certificado pela Junta Comercial do seu estado) e apostilamento (selo que valida o documento para uso internacional, conforme a Convenção de Haia). Os documentos que costumam exigir esse tratamento incluem:
- Certidão de nascimento (sua e dos dependentes)
- Certidão de casamento (se aplicável)
- Diploma ou histórico escolar (se o empregador solicitar)
- Antecedentes criminais (algumas empresas pedem)
A tradução juramentada custa entre R$ 80 e R$ 150 por página, dependendo do idioma e do estado. O apostilamento é feito em cartório autorizado e custa cerca de R$ 50 a R$ 100 por documento. Organize essas etapas com pelo menos 30 dias de antecedência, pois o tempo de tradução varia conforme a demanda do tradutor.
Nem todos os documentos precisam de apostilamento: confirme com a empresa contratante ou com a agência que está intermediando sua ida quais são obrigatórios no seu caso.
COE: Certificado de Elegibilidade
O Certificate of Eligibility (COE) é o documento que autoriza sua entrada no Japão para trabalhar. Ele é solicitado no Japão pela empresa contratante ou pela empreiteira junto à Imigração japonesa. Você não solicita o COE sozinho: quem patrocina sua ida é quem faz o pedido.
O prazo de emissão do COE costuma variar entre 1 e 3 meses, dependendo do tipo de visto e da carga de trabalho da Imigração. Quando o COE for aprovado, a empresa envia o documento original para você no Brasil. Guarde-o com cuidado: você vai apresentá-lo no consulado para tirar o visto e novamente no aeroporto ao chegar no Japão.
Visto de trabalho no passaporte
Com o COE em mãos, você solicita o visto de trabalho no consulado japonês da sua jurisdição. Leve os seguintes documentos:
- Passaporte válido
- COE original
- Formulário de solicitação de visto preenchido (disponível no site do consulado)
- Foto 4,5 x 4,5 cm recente, fundo branco
- Koseki tohon original e tradução juramentada
- Certidões traduzidas e apostiladas, se solicitadas
O prazo de emissão do visto costuma ser de 3 a 5 dias úteis. O visto é colado no passaporte e tem validade de 3 meses a partir da emissão para entrada no Japão. Planeje o embarque dentro desse período. Não há taxa consular para visto de trabalho de descendentes, mas confirme no site do consulado, pois regras podem mudar.
Fase 2: Documentos obtidos no aeroporto ao chegar no Japão
Cartão de residente (Zairyu Card)
O Zairyu Card é a identidade oficial de estrangeiro residente no Japão. Ele é emitido no próprio aeroporto de entrada (Narita, Haneda, Kansai ou Chubu) logo após a inspeção de imigração. O oficial de imigração verifica seu passaporte, visto e COE, faz algumas perguntas sobre o motivo da estadia e o empregador, tira sua foto e coleta suas impressões digitais.
O cartão é impresso na hora e entregue antes de você sair da área de imigração. Ele contém seu nome, nacionalidade, data de nascimento, tipo de visto, período de estadia autorizado e endereço no Japão (que você informou no COE). Guarde o Zairyu Card sempre com você: é o documento que você vai apresentar em bancos, lojas, registro municipal e em qualquer situação que exija identificação.
Se você entrar por um aeroporto menor que não emite o cartão na hora, ele será enviado pelo correio para o endereço registrado no Japão em até 2 semanas.
Fase 3: Documentos a providenciar nas primeiras semanas no Japão
Registro municipal (Jumin Toroku)
Dentro de 14 dias após a chegada, você deve registrar seu endereço no city hall (shiyakusho ou kuyakusho) da cidade onde vai morar. Leve o Zairyu Card e o passaporte. O atendente vai atualizar o endereço no sistema e no verso do cartão de residente.
Esse registro é obrigatório e necessário para as próximas etapas: sem ele, você não consegue solicitar o My Number nem abrir conta bancária. O atendimento costuma ser rápido, entre 15 e 30 minutos, e gratuito.
My Number (Número Individual)
O My Number é o número de identificação único usado em todo o Japão para impostos, previdência, seguro saúde e outros serviços públicos. Ele é solicitado automaticamente quando você faz o registro municipal. O cartão de notificação do My Number (papel) chega pelo correio no endereço registrado em 2 a 4 semanas.
Você pode solicitar o My Number Card (cartão plástico com foto e chip) logo após receber a notificação. O cartão físico facilita procedimentos online e é útil para abrir conta bancária e assinar contratos. A emissão é gratuita e leva cerca de 1 mês.
Guarde o número com cuidado: você vai usar em declaração de imposto de renda, cadastro de emprego, matrícula escolar dos filhos e abertura de conta bancária.
Abertura de conta bancária
Para receber o salário, você precisa de conta bancária japonesa. Bancos que costumam aceitar estrangeiros recém-chegados incluem Japan Post Bank, Resona Bank, MUFG Bank e bancos regionais. Leve os seguintes documentos:
- Zairyu Card
- Passaporte
- My Number (papel ou cartão)
- Inkan (carimbo pessoal japonês, que você compra em lojas de papelaria por cerca de 500 a 1.000 ienes)
- Comprovante de endereço (conta de luz, água ou gás, ou o papel do registro municipal)
- Telefone celular japonês (alguns bancos exigem)
O processo de abertura leva entre 30 minutos e 1 hora. Alguns bancos pedem agendamento prévio. O cartão e a senha chegam pelo correio em 1 a 2 semanas. Enquanto isso, você recebe um número de conta provisório para informar ao empregador.
Documentos adicionais para quem leva cônjuge ou filhos
Cônjuge
Se você for casado e seu cônjuge for junto, ele precisa de visto próprio. O tipo de visto depende da situação: se o cônjuge também for descendente e for trabalhar, ele solicita visto de trabalho com COE próprio e documentação completa. Se for acompanhante, o visto é de dependente, que permite trabalhar em meio período (até 28 horas semanais) com autorização da Imigração.
Documentos necessários para visto de cônjuge:
- Passaporte válido
- Certidão de casamento traduzida e apostilada
- COE (se for trabalhar) ou comprovante de vínculo com o titular (se for dependente)
- Formulário de visto preenchido
- Foto 4,5 x 4,5 cm
Filhos
Filhos menores de 18 anos viajam com visto de dependente. Cada criança precisa de:
- Passaporte próprio
- Certidão de nascimento traduzida e apostilada
- Formulário de visto preenchido (assinado pelos pais)
- Foto 4,5 x 4,5 cm
- Comprovante de vínculo com os pais (certidão de nascimento já cumpre esse papel)
Ao chegar no Japão, os dependentes também recebem Zairyu Card no aeroporto e precisam ser registrados no city hall junto com o titular. Escolas brasileiras no Japão costumam pedir histórico escolar traduzido e certificado de vacinação atualizado.
Documentos opcionais mas recomendados
Alguns documentos não são obrigatórios para o visto, mas facilitam a vida no Japão e vale a pena providenciar antes do embarque:
- Carteira de motorista internacional (PID): válida por 1 ano no Japão, permite dirigir enquanto você tira a habilitação japonesa. Solicite no Detran do seu estado.
- Cartão de vacinação atualizado: útil para matrícula escolar e atendimento médico. Traduza as vacinas principais para o inglês ou japonês.
- Histórico médico traduzido: se você ou dependentes fazem tratamento contínuo, leve receitas e relatórios médicos traduzidos para facilitar a continuidade do acompanhamento.
- Fotos 3×4 extras: úteis para cadastros diversos nos primeiros meses.
- Cópias digitalizadas de todos os documentos: salve em nuvem (Google Drive, Dropbox) e leve pen drive de backup. Se perder algum original, a cópia facilita a segunda via.
Erros comuns que atrasam o processo
Pequenos deslizes na documentação podem atrasar o embarque em semanas ou até meses. Os erros mais frequentes incluem:
- Passaporte com menos de 6 meses de validade: mesmo que o visto seja aprovado, companhias aéreas podem negar o embarque. Renove com antecedência.
- Tradução não juramentada: traduções feitas por profissional sem certificação não são aceitas pelos consulados. Confirme que o tradutor é registrado na Junta Comercial.
- Documentos sem apostilamento quando exigido: certidões sem o selo de Haia podem ser recusadas. Pergunte ao empregador quais documentos precisam de apostilamento.
- Informações inconsistentes entre documentos: nome grafado de forma diferente em certidões e passaporte gera desconfiança e pode levar à recusa do visto. Corrija divergências antes de iniciar o processo.
- Não guardar documentos originais: cópias não substituem originais em inspeções de imigração. Leve tudo em pasta organizada, separado da bagagem despachada.
- Atraso no registro municipal: perder o prazo de 14 dias gera multa e complica a solicitação do My Number. Priorize essa etapa na primeira semana.
- Tentar abrir conta sem My Number: a maioria dos bancos exige o número. Aguarde a notificação chegar antes de ir ao banco.
Timeline realista do processo completo
Contar o tempo total ajuda a planejar o embarque com segurança. A sequência típica, somando todas as etapas, costuma levar entre 3 e 5 meses do início da documentação até o embarque:
- Passaporte: 5 a 15 dias úteis
- Koseki tohon: 4 a 8 semanas (solicitado no Japão)
- Traduções e apostilamento: 2 a 4 semanas
- COE: 1 a 3 meses (solicitado pelo empregador)
- Visto: 3 a 5 dias úteis após receber o COE
- Embarque: dentro de 3 meses após a emissão do visto
No Japão, as etapas são mais rápidas:
- Zairyu Card: emitido na hora no aeroporto
- Registro municipal: no mesmo dia, em até 30 minutos
- My Number: notificação em 2 a 4 semanas; cartão físico em 1 mês
- Conta bancária: cartão em 1 a 2 semanas após a abertura
Organizando a documentação na prática
Manter tudo organizado desde o início evita estresse e retrabalho. Use uma pasta física com divisórias para separar documentos por etapa: Brasil (originais e traduções), Consulado (visto), Japão (registro e banco). Dentro de cada divisória, guarde originais e cópias juntas, sempre na mesma ordem.
Digitalize todos os documentos e salve em nuvem. Crie pastas nomeadas de forma clara (exemplo: 01_Passaporte, 02_Koseki, 03_Traducoes, 04_COE, 05_Visto) e inclua a data de emissão no nome do arquivo. Leve pen drive de backup com tudo.
No Japão, continue o mesmo sistema: guarde Zairyu Card, My Number, contrato de trabalho, contrato de aluguel e documentos bancários em uma pasta à parte, sempre à mão. Nunca despache documentos originais na bagagem de porão.
Agora que você sabe quais documentos precisa providenciar, o próximo passo é entender como cada etapa funciona na prática e contar com orientação que evita atrasos e retrabalho. A DAIKOKU acompanha cada candidato na organização de toda a documentação necessária para trabalhar no Japão, desde a solicitação do koseki até a emissão do visto, cobrindo traduções juramentadas, apostilamento e tramitação do COE junto ao empregador. O suporte começa no Brasil e continua no Japão, garantindo que você tenha tudo em ordem antes do embarque e saiba exatamente o que fazer ao chegar. Falar com a DAIKOKU sobre o processo completo de documentação.
Diferenças entre tipos de visto e impacto na documentação
O processo descrito neste guia se aplica principalmente ao visto de trabalho para descendentes de japoneses, o mais comum entre brasileiros que vão ao Japão pela primeira vez via empresa ou empreiteira. Outros tipos de visto exigem documentação diferente:
- Visto de trabalho qualificado (Engineer/Specialist in Humanities): exige diploma universitário relacionado à função, contrato direto com empresa japonesa, comprovação de conhecimento técnico e, em muitos casos, nível intermediário de japonês. Não é o caminho mais usado por brasileiros que vão trabalhar em fábrica.
- Visto de estudante com permissão de trabalho: exige matrícula em escola de idiomas ou universidade japonesa, comprovação financeira e permite apenas 28 horas de trabalho por semana. Voltado para quem prioriza estudar.
- Working Holiday: programa de intercâmbio para jovens de 18 a 30 anos, com cotas anuais limitadas e exigência de recursos financeiros próprios. Não é uma via de imigração permanente.
Se você é descendente até a terceira geração ou cônjuge de descendente, o visto de trabalho tradicional é o caminho mais direto, com menos exigências acadêmicas e de idioma, permitindo trabalho em tempo integral desde o início.
Conclusão
Organizar a documentação para trabalhar no Japão pela primeira vez é um processo linear: cada etapa depende da anterior, e seguir a ordem cronológica evita atrasos e retrabalho. No Brasil, você providencia passaporte, koseki, traduções, COE e visto. No aeroporto japonês, recebe o Zairyu Card. Nas primeiras semanas, faz registro municipal, solicita o My Number e abre conta bancária. Documentos para dependentes seguem processo paralelo. Manter tudo organizado, guardar originais com cuidado e confirmar prazos com antecedência garante que você embarque preparado e comece a trabalhar sem surpresas.